sábado, 27 de novembro de 2010

Dois chefões do tráfico da Vila Cruzeiro são presos


Polícia também apreende mochila com 30 mil dólares durante revista em acesso ao Complexo do Alemão

POR PAULA SARAPU
Rio - Dois chefões do tráfico da Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte, foram presos, por volta das 3h deste sábado, quando tentavam deixar a favela em um Gol pela Rua Canitar, na Favela da Fazendinha. Ricardo Severo, conhecido como Faustão, e Tácio Fernando Faustino, o Branquinho, passaram por um bloqueio de soldados do Exército e de policiais militares do 16º BPM (Olaria) e não obedeceram a ordem de parar. Houve troca de tiros e eles foram feridos.
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Apreensão de 30 mil dólares

Paraquedistas do Exército também apreenderam uma mochila com 30 mil dólares, que seria do tráfico de drogas da região, durante a revista em um dos acessos da favela. Desde o início do dia, caminhões, carros e até bolsas de mulheres estão sendo revistados na entrada da comunidade. O objetivo é impedir que armas cheguem aos bandidos.
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Ataques começaram no domingo ao meio-dia
A onda de ataques violentos no Rio e Grande Rio começou no domingo 21 de novembro, por volta do meio-dia, na Linha Vermelha, quando seis bandidos armados com cinco fuzis e uma granada fecharam a pista sentido Centro, altura de Vigário Geral. Os criminosos, em dois carros, levaram pertences de passageiros e queimaram dois veículos, após expulsarem os ocupantes. Para o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, as ações criminosas são uma reação contra a política de ocupação de territórios do tráfico, por meio das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e a transferências de bandidos para presídios federais em outros estados.
Na manhã da segunda-feira, cinco bandidos armados atacaram motoristas no Trevo das Margaridas, próximo à Avenida Brasil, em Irajá, também na Zona Norte. Os criminosos roubaram e incendiaram três veículos. No mesmo dia, criminosos armados com fuzis atiraram em uma cabine da PM na rua Monsenhor Félix, em frente ao Cemitério de Irajá. A PM acredita que o incidente tenha sido provocado pelos mesmos bandidos que haviam incendiado os três carros na mesma manhã. À noite, traficantes incendiaram dois carros na Rodovia Presidente Dutra, na altura da Pavuna. Foi o quinto ataque a motoristas em menos de 48 horas. Na Zona Norte, outra cabine da Polícia Militar foi metralhada.
No dia seguinte, as polícias Militar e Civil se uniram para reforçar o patrulhamento pelas ruas do Rio. O efetivo foi redobrado para controlar os ataques dos bandidos. A operação, que se chamou 'Fecha Quartel', suspendeu todas as folgas dos policiais militares do Rio de Janeiro. Mais de 20 favelas foram invadidas e armas e drogas foram apreendidas. Bandidos foram presos e alguns criminosos mortos em confronto com agentes.
Na quarta-feira 24 de novembro, novos ataques: ônibus, van e carros foram incendiados na Zona Norte do Rio, Baixada Fluminense e Niterói. Sérgio Cabral, governador do Rio, desafiou os bandidos: 'Não há paz falsa. Não negociamos'. Em uma reunião de cúpula da Segurança Pública do Estado, ficou decidido que a Marinha daria apoio logístico às operações de resposta aos ataques de bandidos.
Em mais um dia de veículos incendiados espalhados pela cidade, mais de 450 homens - entre polícias Militar e Civil e fuzileiros da Marinha, com o apoio de blindados de guerra da força naval, tomaram a Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Emissoras de tv mostraram, ao vivo, centenas de bandidos armados fugindo para comunidades vizinhas. Cenas históricas que mostram a atual situação do Rio de Janeiro.