domingo, 21 de novembro de 2010

Esquenta a briga entre PT e PMDB

Aliados em disputa no Rio

PMDB e PT não se entendem sobre revezamento na presidência da Câmara Municipal

POR JOÃO NOÉ
Rio - Assim como em Brasília, PT e PMDB cariocas estão no centro da disputa pelo cargo mais cobiçado do Legislativo da cidade: a presidência da Câmara Municipal do Rio. No páreo, dois vereadores de Bangu e da base de apoio a Eduardo Paes (PMDB). Um é o atual presidente, Jorge Felippe (PMDB). O outro é o líder do governo, Adilson Pires (PT). Em jogo, o comando de um orçamento de quase R$350 milhões anuais.

O principal ponto de discórdia entre ambos envolve o prefeito Eduardo Paes. Em 2008, segundo aliados do petista, o prefeito firmou acordo com Pires, na época também postulante à presidência da Casa, para que ele ajudasse a eleger Jorge Felippe e o sucedesse no cargo dois anos depois. Aliados do peemedebista, porém, dizem saber de uma “sugestão” de rodízio feita por Paes, logo depois rejeitada pelo PMDB.
Vereador há 22 anos, Adilson Pires, 51, sabe que tem um desafio, mas lembra que já viu eleições “serem decididas nas últimas 24 horas”. Ele defende que os presidentes dos partidos se reúnam para discutir tanto a presidência da Câmara quanto a da Assembleia Legislativa (Alerj). Junto com outros colegas do PT e do PDT, PSB e PCdoB, integra o chamado Bloco de Esquerda, formado por ele e mais oito vereadores, dos quais quer apoio.
“Aqui, há nove vereadores dos partidos do Bloco de Esquerda. Na Alerj, essas legendas somam 22 deputados (na verdade, são 21). Se Paes ficar neutro, posso conseguir votos de 30 vereadores”, ressalta.

A estratégia de Adilson, porém, é complicada para ser posta em prática. A possibilidade de consenso entre os quatro partidos é remota. O petista Elton Babú, por exemplo, estaria ao lado de Felippe, assim como, pelo menos, outros três parlamentares do bloco.
APOIO DA MAIORIA
Aos 57 anos, Jorge Felippe está em seu quarto mandato como vereador. Em 1996, foi candidato a vice na chapa de Sérgio Cabral (PMDB) para a Prefeitura do Rio. Venceu a presidência da Câmara, em 2008, com votos dos 51 vereadores, entre eles, Pires.

Aliados estimam que, hoje, já tenha o apoio de 38. Sogro do ex-secretário municipal de Ordem Pública, Rodrigo Bethlem, ele ainda é tido como preferido de Cabral e Jorge Picciani, presidente do PMDB no Rio. “Quem quer a presidência da Casa deve, antes de tudo, ter apoio dos vereadores”, afirma Felippe, que descarta abandonar a Câmara para se tornar secretário de Ordem Pública ou conselheiro do Tribunal de Contas do Município (TCM), como já se especulou. Em viagem ao exterior, o prefeito não foi encontrado para falar sobre o assunto.