quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Marinha vai garantir apoio ao Rio contra série de ataques


Marinha vai garantir apoio logístico ao Rio contra série de ataques

Rio - A Marinha vai oferecer suporte logístico ao governo do Rio no combate à série de ataques criminosos que ocorre no estado desde domingo. O pedido foi feito pelo governador Sérgio Cabral. De acordo com nota do Ministério da Defesa divulgada na noite de quarta-feira, o apoio envolve o fornecimento de veículos blindados, armas, munição e óculos de visão noturna.

O Exército também entrou em alerta máximo e reforçou a segurança em todas as suas unidades militares. Até agora os militares não foram acionados para reforçar o policiamento, como já ocorreu em outras ocasiões.

Nesta madrugada, mais quatro ações criminosas em diferentes pontos do estado foram registrados. Segundo a Polícia Militar (PM), houve novos ataques na Penha, zona norte, onde um motorista de ônibus foi baleado após ser rendido por homens que incendiaram o coletivo; em Laranjeiras, zona sul, na Barra da Tijuca, zona oeste, e em Mesquita, na Baixada Fluminense, onde veículos foram incendiados.
>> Envie relatos, fotos ou vídeos para o Conexão Leitor
>> FOTOGALERIA: Momentos de terror em menos de 24 horas
Nesta quinta-feira, a PM intensifica as operações contra o tráfico na Vila Cruzeiro, na Penha, considerado o principal reduto do tráfico no Rio, na área do Complexo do Alemão.

Aulas suspensas


Por causa do clima tenso, pelo menos 47 escolas municipais e dez creches suspenderam as aulas. Nesta quinta-feira, a Secretaria Municipal de Educação informou que as direções das unidades têm autonomia para avaliar a possibilidade de retomarem as atividades.

A auxiliar de serviços gerais Matilde Maria dos Santos, que mora na comunidade Cidade Alta, em Cordovil, na zona norte, disse que as duas filhas que estudam em escolas da região estão sem aulas desde ontem. Para ela, que precisa sair de casa cedo para trabalhar, ter que deixar a mais nova, de 10 anos, em casa é preocupante.

“A mais velha tem 20 anos e trabalha durante o dia, então não fico tão preocupada. Mas a mais nova, se não for à escola, tem que ficar em casa sozinha e trabalho o dia todo com a cabeça preocupada. Mas do jeito que está é melhor até ficar do que acontecer alguma coisa de ruim na rua”, afirmou ela, acrescentando que na comunidade em que vive a população está bastante assustada com os ataques a carros e ônibus no Rio.
Ataques começaram no domingo ao meio-dia
A onda de ataques violentos no Rio e Grande Rio começou no último domingo, por volta do meio-dia, na Linha Vermelha, quando seis bandidos armados com cinco fuzis e uma granada fecharam a pista sentido Centro, altura de Vigário Geral. Os criminosos, em dois carros, levaram pertences de passageiros e queimaram dois veículos, após expulsarem os ocupantes. Para o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, as ações criminosas são uma reação contra a política de ocupação de territórios do tráfico, por meio das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e a transferências de bandidos para presídios federais em outros estados.
Na manhã desta segunda-feira, cinco bandidos armados atacaram motoristas no Trevo das Margaridas, próximo à Avenida Brasil, em Irajá, também na Zona Norte. Os criminosos roubaram e incendiaram três veículos - uma van de passageiros que fazia o trajeto de Belford Roxo para o Centro -, além de um Monza e um Uno. Também na segunda pela manhã, criminosos armados com fuzis atiraram em uma cabine da PM na rua Monsenhor Félix, em frente ao Cemitério de Irajá. A PM acredita que o incidente tenha sido provocado pelos mesmos bandidos que haviam incendiado os três carros no Trevo das Margaridas. À noite, criminosos incendiaram dois carros na Rodovia Presidente Dutra, sentido Capital, na altura da Pavuna. Foi o quinto ataque a motoristas em menos de 48 horas. Na Zona Norte, uma cabine da Polícia Militar (PM) foi metralhada próximo ao shopping Nova América, em Del Castilho.
No dia seguinte, as polícias Militar e Civil se uniram para reforçar o patrulhamento pelas ruas do Rio. O efetivo foi redobrado para controlar os ataques dos bandidos. A operação se chamou 'Fecha Quartel'. Mais de 20 favelas foram invadidas. Armas e drogas foram apreendidas. Bandidos foram presos e alguns mortos em confronto com agentes.
Novos ataques nesta quarta-feira: ônibus, van e carros são incendiados na Zona Norte do Rio, Baixada Fluminense e Niterói. Sérgio Cabral, governador do Rio, desafia os bandidos: 'Não há paz falsa. Não negociamos'.