Intolerância e morte no Paquistão
Cristã acusada de blasfêmia condenada a ser enforcada. Explosão de carro-bomba de talibãs em departamento de polícia mata 25
Islamabad - Dois casos ligados à intolerância religiosa que aconteceram no Paquistão chamaram a atenção do mundo ontem. Um tribunal do país condenou à morte uma mulher cristã, mãe de cinco filhos, por blasfêmia, provocando a revolta de grupos de defesa dos direitos humanos. Já a facção paquistanesa do grupo fundamentalista islâmico Talibã detonou um carro- bomba numa central de polícia em Karachi, matando pelo menos 25 pessoas.O caso da cristã Asia Bibi, 45 anos, que deverá ser enforcada, causou ainda mais choque porque o Paquistão jamais executou uma mulher por blasfêmia. A sentença teria sido facilitada por uma lei islâmica do país, que incentivaria a ação de extremistas.
O processo de Asia começou em junho de 2009, quando ela foi buscar água enquanto trabalhava no campo. Um grupo de camponesas muçulmanas, no entanto, protestou, afirmando que uma mulher não-muçulmana não deveria tocar o jarro d'água do qual elas também beberiam. Dias depois, o grupo de muçulmanas procurou um líder religioso e denunciou Asia, indicando que ela teria feito comentários depreciativos sobre o profeta Maomé. O sacerdote procurou a polícia local, e uma investigação foi aberta.
O juiz Navid Iqbal, que a condenou à morte por enforcamento, “excluiu completamente” qualquer hipótese de que a ré tivesse sido falsamente acusada, afirmando que não há “circunstâncias atenuantes” no caso, de acordo com o texto do veredicto.
Mais de 100 feridos
O ataque na cidade de Karachi ocorreu pouco antes das 13h e, além dos mortos, deixou mais de 100 feridos. Um suicidada detonou uma caminhonete provocando a explosão, que foi ouvida a vários quilômetros e causou uma cratera de pelo menos quatro metros de diâmetro e imperfeições em vários edifícios.
O Dia