segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Olho de Vidro, um dos bandidos mais procurados do Rio, morre no Alemão


Rio - As polícias Civil e Militar confirmaram, nesta segunda-feira, que o traficante Luis Carlos Nesse José,  o Olho de Vidro, chefe do comércio de entorpecentes da Favela da Mangueirinha e um dos bandidos mais procurados do Rio, foi morto no domingo durante a incursão das forças de segurança no Complexo do Alemão.
Foto: Divulgação
Luis Carlos Nesse José, o Olho de Vidro | Foto: Divulgação
A morte de Olho de Vidro, aconteceu na noite de domingo, durante intenso confronto com policiais no Alemão. Policiais militares do 15º Batalhão e civis da 59ª DP, ambos em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, confirmaram a informação.
De acordo com informações da polícia, Olho de Vidro chegou a dar entrada no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, Zona Norte do Rio, mas não resistiu e morreu. O corpo foi levado pelo Instuto Médico Legal (IML), mas a liberação foi assinada pela ex-mulher.
Ao lado de Fabiano Atanázio da Silva, o FB, e Luciano Martiniano, o Pezão, Olho de Vidro era um dos bandidos mais procurados do Rio. Recentemente, policiais apertaram o cerco com policiais do esquadrão de elite para tentar prendê-lo.
Ataques começaram no domingo ao meio-dia
A onda de ataques violentos no Rio e Grande Rio começou no domingo 21 de novembro, por volta do meio-dia, na Linha Vermelha, quando seis bandidos armados com cinco fuzis e uma granada fecharam a pista sentido Centro, altura de Vigário Geral. Os criminosos, em dois carros, levaram pertences de passageiros e queimaram dois veículos, após expulsarem os ocupantes. Para o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, as ações criminosas são uma reação contra a política de ocupação de territórios do tráfico, por meio das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e a transferências de bandidos para presídios federais em outros estados.
Na manhã da segunda-feira, cinco bandidos armados atacaram motoristas no Trevo das Margaridas, próximo à Avenida Brasil, em Irajá, também na Zona Norte. Os criminosos roubaram e incendiaram três veículos. No mesmo dia, criminosos armados com fuzis atiraram em uma cabine da PM na rua Monsenhor Félix, em frente ao Cemitério de Irajá. A PM acredita que o incidente tenha sido provocado pelos mesmos bandidos que haviam incendiado os três carros na mesma manhã. À noite, traficantes incendiaram dois carros na Rodovia Presidente Dutra, na altura da Pavuna. Foi o quinto ataque a motoristas em menos de 48 horas. Na Zona Norte, outra cabine da Polícia Militar foi metralhada.
No dia seguinte, as polícias Militar e Civil se uniram para reforçar o patrulhamento pelas ruas do Rio. O efetivo foi redobrado para controlar os ataques dos bandidos. A operação, que se chamou 'Fecha Quartel', suspendeu todas as folgas dos policiais militares do Rio de Janeiro. Mais de 20 favelas foram invadidas e armas e drogas foram apreendidas. Bandidos foram presos e alguns criminosos mortos em confronto com agentes.
Na quarta-feira 24 de novembro, novos ataques: ônibus, van e carros foram incendiados na Zona Norte do Rio, Baixada Fluminense e Niterói. Sérgio Cabral, governador do Rio, desafiou os bandidos: 'Não há paz falsa. Não negociamos'. Em uma reunião de cúpula da Segurança Pública do Estado, ficou decidido que a Marinha daria apoio logístico às operações de resposta aos ataques de bandidos.
Em mais um dia de veículos incendiados espalhados pela cidade, mais de 450 homens - entre polícias Militar e Civil e fuzileiros da Marinha, com o apoio de blindados de guerra da força naval, tomaram a Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Emissoras de tv mostraram, ao vivo, centenas de bandidos armados fugindo para comunidades vizinhas. Cenas históricas que mostraram a atual situação do Rio de Janeiro. Na sexta-feira 26 de novembro, o Exército e a Polícia Federal entraram na batalha. No sábado, uma chance para traficantes locais. A Polícia Militar tentou a rendição dos cerca de 600 bandidos que estariam no Complexo do Alemão. Exatamente às 7h59 deste domingo, o comando da PM ordenou a invasão e poucos mais de 1 hora depois, o Estado comunicava que o conjunto de favelas estava tomado.