sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Polícia Civil vai ao Jacarezinho e mata 9 bandidos

Favela é um dos maiores entrepostos de drogas e armas do Rio. Carta ordenando ataques partiu de lá Rio - A entrada da Polícia Civil no combate ao terrorismo imposto por traficantes do Comando Vermelho aconteceu, efetivamente, no fim da manhã de ontem. Nos dois dias anteriores, agentes já tinham feito incursões em Manguinhos, mas desta vez cerca de 200 homens de todas as delegacias especializadas e distritais cercaram a Favela do Jacarezinho, um dos principais entrepostos de drogas e armas da quadrilha. Houve intensa troca de tiros na chegada dos policiais à comunidade, por volta das 11h, e nove bandidos morreram. Nenhum inocente se feriu.
Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Policiais chegaram ao Jacarezinho às 11h e foram recebidos a tiros | Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
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Com apoio do helicóptero Águia, a polícia conseguiu cercar o bando, que acabou sendo surpreendido, já que todos imaginavam que a própria Polícia Civil entraria cedo no Complexo da Penha. Na Praça da Concórdia, uma equipe da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) foi recebida a tiros. Três suspeitos acabaram mortos. Foram apreendidos uma pistola, uma granada e um revólver.
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Em outro ponto, conhecido como GE, o confronto foi com a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Mais quatro bandidos morreram e, com eles, foram apreendidas quatro pistolas e uma granada.Mais dois bandidos, levados para hospitais por comparsas, não resistiram aos ferimentos.

O Jacarezinho tornou-se um ponto importante para os órgãos de segurança porque foi dali que saiu pelo menos uma das cartas ordenando os ataques. Ela teria sido endereçada a André Duarte Anchieta, o Menininho, um dos líderes do bando local, que vive escondido no Complexo do Alemão. O criminoso participou, inclusive, da reunião que começou a definir os planos de ataque à cidade, realizada na Favela da Grota, quatro dias antes do segundo turno das eleições presidenciais.

Além dele, participaram do planejamento de ataques Luciano Martiniano da Silva, o Pezão; Fabiano Atanásio da Silva, o FB; Luiz Cláudio Serrat Corrêa, o CL; Alexander Mendes da Silva, o Polegar; Luiz Cláudio Machado, o Marreta; Marcelo da Silva Soares, o Macarrão; e Marcelo da Silva Leandro, o Marcelinho Niterói.

Cenas típicas de países em conflito

Confrontos, tanques de guerra, metralhadoras, granadas, mortos e feridos. Para especialistas em segurança, as cenas que correram o mundo poderiam ter aparecido no noticiário sobre qualquer país em guerra, como Iraque e Afeganistão — não fosse o fato de terem acontecido no Rio de Janeiro, onde a batalha é entre as forças de segurança e criminosos.

A ação teve que ser deflagrada em função dos ataques dos criminosos, antecipando planejamento da polícia. “Do ponto de vista tático, a invasão à Vila Cruzeiro não é boa porque não estava no planejamento agora. No mundo real não dá para fazer como no filme ‘Guerra nas Estrelas’, em que você tem centenas de homens em minutos. O problema é que a criminalidade ousou demais e o outro lado teve que agir”, afirmou o diretor regional da Associação dos Profissionais de Segurança, Vinícius Cavalcante.
Na opinião do historiador Francisco Carlos Teixeira, do Laboratório do Tempo Presente da UFRJ, a novidade não foi o confronto, mas o apoio da população à intervenção policial. “A sociedade aderiu à política do estado do Rio. A população está denunciando e oferecendo água e comida para a polícia. A visão meio Robin-Hood que os bandidos tinham está sendo desfeita”, avaliou.
Reportagens de Adriana Cruz, Alessandro Ferreira, Beatriz Salomão, Diogo Dias, Flávio Trindade, Geraldo Perelo, Isabel Boechat, João Noé, Leslie Leitão, Luarlindo Ernesto, Lúcio Natalício, Mahomed Saigg, Marcello Victor, Marco Antonio Canosa, Maria Inez Magalhães, Maria Mazzei, Paula Sarapu, Priscilla Costa, Rafael Cavalcanti, Raphael Zarko, Ricardo Albuquerque e Thiago Feres