sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Policial federal é ferido na cabeça em acesso do Complexo do Alemão


Rio - Um policial federal foi ferido na cabeça por um tiro disparado por bandidos do Complexo do Alemão, na manhã desta sexta-feira, durante o trabalho de revista feito na Rua Itararé, um dos acessos ao conjunto de favelas.
Os bandidos estavam escondidos a 100 metros de onde os policiais federais montavam uma blitz, mas não houve tiroteio. O policial recebeu os primeiros socorros ainda no local e foi transferido para o Hospital Getúlio Vargas.
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Policiais federais montam cerco à favela em busca dos criminosos que promovem onda de terror no Rio | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Os agentes da Polícia Federal têm o trabalho de revista de suspeitos no entorno do conjunto de favelas do Alemão.

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Na noite desta quinta, o Ministério da Defesa informou que serão enviados ao estado 800 militares para auxiliar a polícia no combate à violência. A tropa chega ao Rio após um pedido de ajuda do governo do Estado. O Rio também receberá o auxílio de dois helicópteros da Força Aérea e dez blindados de transporte, com origem a ser definida em coordenação entre as próprias Forças Armadas.

Serão fornecidos temporariamente, ainda, equipamentos de comunicação entre aeronaves e tropas em solo, bem como óculos para visão noturna. Desde a quinta-feira, a Marinha do Brasil disponibiliza blindados para as operações no Complexo do Alemão.

Ataques começaram no domingo ao meio-dia
A onda de ataques violentos no Rio e Grande Rio começou no domingo 21 de novembro, por volta do meio-dia, na Linha Vermelha, quando seis bandidos armados com cinco fuzis e uma granada fecharam a pista sentido Centro, altura de Vigário Geral. Os criminosos, em dois carros, levaram pertences de passageiros e queimaram dois veículos, após expulsarem os ocupantes. Para o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, as ações criminosas são uma reação contra a política de ocupação de territórios do tráfico, por meio das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e a transferências de bandidos para presídios federais em outros estados.
Na manhã da segunda-feira, cinco bandidos armados atacaram motoristas no Trevo das Margaridas, próximo à Avenida Brasil, em Irajá, também na Zona Norte. Os criminosos roubaram e incendiaram três veículos. No mesmo dia, criminosos armados com fuzis atiraram em uma cabine da PM na rua Monsenhor Félix, em frente ao Cemitério de Irajá. A PM acredita que o incidente tenha sido provocado pelos mesmos bandidos que haviam incendiado os três carros na mesma manhã. À noite, traficantes incendiaram dois carros na Rodovia Presidente Dutra, na altura da Pavuna. Foi o quinto ataque a motoristas em menos de 48 horas. Na Zona Norte, outra cabine da Polícia Militar foi metralhada.
No dia seguinte, as polícias Militar e Civil se uniram para reforçar o patrulhamento pelas ruas do Rio. O efetivo foi redobrado para controlar os ataques dos bandidos. A operação, que se chamou 'Fecha Quartel', suspendeu todas as folgas dos policiais militares do Rio de Janeiro. Mais de 20 favelas foram invadidas e armas e drogas foram apreendidas. Bandidos foram presos e alguns criminosos mortos em confronto com agentes.
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Na quarta-feira 24 de novembro, novos ataques: ônibus, van e carros foram incendiados na Zona Norte do Rio, Baixada Fluminense e Niterói. Sérgio Cabral, governador do Rio, desafiou os bandidos: 'Não há paz falsa. Não negociamos'. Em uma reunião de cúpula da Segurança Pública do Estado, ficou decidido que a Marinha daria apoio logístico às operações de resposta aos ataques de bandidos.
Em mais um dia de veículos incendiados espalhados pela cidade, mais de 450 homens - entre polícias Militar e Civil e fuzileiros da Marinha, com o apoio de blindados de guerra da força naval, tomaram a Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Emissoras de tv mostraram, ao vivo, centenas de bandidos armados fugindo para comunidades vizinhas. Cenas históricas que mostram a atual situação do Rio de Janeiro.