terça-feira, 30 de novembro de 2010

Prefeitura usa 800 homens para limpar e liberar vias no Alemão


Escolas voltam a funcionar normalmente nesta terça-feira na localidade

Rio - A operação especial da prefeitura do Rio de Janeiro no Complexo do Alemão se concentra na coleta de lixo e na liberação das vias de acesso às favelas. A equipe da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) já retirou, desde a segunda-feira, toneladas de lixo que estão sendo armazenadas em um depósito a céu aberto na esquina da estrada do Itararé.
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Moradores convivem com grande quantidade de lixo espalhado pelas ruas nas comunidades do Alemão | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Operações tapa-buraco também ocorrem na Joaquim de Queiroz, a principal via da favela da Grota. As equipes trabalham para o fechamento de uma cratera aberta pelos traficantes que se junta à rede de esgoto e impede a passagem de veículos. Barras de ferro e carros utilizados em barricadas também estão sendo retirados. O comércio funciona normalmente, e muitos moradores retornam para suas casas. De acordo com a prefeitura, 800 homens são utilizados na força-tarefa.

Escolas


As estimadas 11 mil crianças que ficaram sem aulas desde o início das operações policiais próximas às favelas do Alemão devem voltar às escolas nesta terça-feira. Segundo a Secretaria de Educação, uma equipe de psicólogos vai percorrer as escolas, e o assunto da violência e da ocupação da polícia será abordado em aula.
Prefeitura usa 800 homens para limpar e liberar vias no Alemão
Ataques começaram no domingo ao meio-dia
A onda de ataques violentos no Rio e Grande Rio começou no domingo 21 de novembro, por volta do meio-dia, na Linha Vermelha, quando seis bandidos armados com cinco fuzis e uma granada fecharam a pista sentido Centro, altura de Vigário Geral. Os criminosos, em dois carros, levaram pertences de passageiros e queimaram dois veículos, após expulsarem os ocupantes. Para o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, as ações criminosas são uma reação contra a política de ocupação de territórios do tráfico, por meio das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e a transferências de bandidos para presídios federais em outros estados.
Na manhã da segunda-feira, cinco bandidos armados atacaram motoristas no Trevo das Margaridas, próximo à Avenida Brasil, em Irajá, também na Zona Norte. Os criminosos roubaram e incendiaram três veículos. No mesmo dia, criminosos armados com fuzis atiraram em uma cabine da PM na rua Monsenhor Félix, em frente ao Cemitério de Irajá. A PM acredita que o incidente tenha sido provocado pelos mesmos bandidos que haviam incendiado os três carros na mesma manhã. À noite, traficantes incendiaram dois carros na Rodovia Presidente Dutra, na altura da Pavuna. Foi o quinto ataque a motoristas em menos de 48 horas. Na Zona Norte, outra cabine da Polícia Militar foi metralhada.
No dia seguinte, as polícias Militar e Civil se uniram para reforçar o patrulhamento pelas ruas do Rio. O efetivo foi redobrado para controlar os ataques dos bandidos. A operação, que se chamou 'Fecha Quartel', suspendeu todas as folgas dos policiais militares do Rio de Janeiro. Mais de 20 favelas foram invadidas e armas e drogas foram apreendidas. Bandidos foram presos e alguns criminosos mortos em confronto com agentes.
Na quarta-feira 24 de novembro, novos ataques: ônibus, van e carros foram incendiados na Zona Norte do Rio, Baixada Fluminense e Niterói. Sérgio Cabral, governador do Rio, desafiou os bandidos: 'Não há paz falsa. Não negociamos'. Em uma reunião de cúpula da Segurança Pública do Estado, ficou decidido que a Marinha daria apoio logístico às operações de resposta aos ataques de bandidos.
Em mais um dia de veículos incendiados espalhados pela cidade, mais de 450 homens - entre polícias Militar e Civil e fuzileiros da Marinha, com o apoio de blindados de guerra da força naval, tomaram a Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Emissoras de tv mostraram, ao vivo, centenas de bandidos armados fugindo para comunidades vizinhas. Cenas históricas que mostraram a atual situação do Rio de Janeiro. Na sexta-feira 26 de novembro, o Exército e a Polícia Federal entraram na batalha. No sábado, uma chance para traficantes locais. A Polícia Militar tentou a rendição dos cerca de 600 bandidos que estariam no Complexo do Alemão. Exatamente às 7h59 deste domingo, o comando da PM ordenou a invasão e poucos mais de 1 hora depois, o Estado comunicava que o conjunto de favelas estava tomado.

Com informações do Terra