sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Três helicópteros e 10 blindados à disposição do Estado


Nesta sexta-feira, Cabral ressaltou a união das esferas de poder para ressaltar os pontos positivos da operação na Vila Cruzeiro

Rio - Em entrevista coletiva, na tarde desta sexta-feira, as Forças Armadas afirmaram que a missão do Exército será fazer a segurança do perímetro definido pelo governo do Estado. O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, o general Adriano Pereira Júnior do Comando Militar do Leste (CML) e o general De Nardi Chefe do estado-maior Conjunto, falaram sobre a participação da tropa militar nas operações policiais no Rio de Janeiro. Três helicópteros e 10 blindados estarão à disposição do governo do Estado.
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Dando continuidade a posição desta quinta-feira, sobre não fornecer informações sobre como serão realizadas as operações, Beltrame informou, apenas, que o Éxército tem uma atribuição e um comando específico. Sobre informações de que haveria grampos telefônicos de advogados de presos reforçando a ordem para aumentar os ataques, o secretário informou que se soubesse, não iria dizer sobre nada.

"Não tenho conhecimento como você (repórter) diz, e se soubesse jamais iria me manifestar. Isso poderia prejudicar o trabalho", afirmou.

O Chefe do Estado-Maior Conjunto, general De Nardim, informou que além dos 800 homens do Exército, foi pedido, ainda, 10 blindados e três helicópteros.

"Quem e quem vai continuar apoiando a logistica é a Marinha do Brasil e a Força Aérea", disse.

O gerenal Pereira Júnior do Comando Militar do Leste (CML) garantiu que todos os profissonais têm experiência e caso haja confronto eles estarão prontos.

"Se houver confronto, teremos que partir pra isso. Mais de 60% dos homens têm experiência nesse tipo de ação", afirmou o general.

Mais cedo, o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, e do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, o governador Sérgio Cabral afirmou nesta sexta-feira que o Rio de Janeiro encerra um capítulo sangrento na história do estado.
"Estamos virando uma página muito importante na história do Rio de Janeiro. Mais do que nunca, a população está percebendo que a conquista da lei e da ordem são direitos básicos", disse Cabral.
Para o governador do estado, o sucesso da retomada de territórios vem de muito trabalho. "A retomada da paz não tem mágica. É 90% de transpiração e 10% de inspiração, disse o governador.
O governador ressaltou a união das esferas de poder para ressaltar os pontos positivos da operação na Vila Cruzeiro. "Para aqueles que não acreditam na lei, podemos dizer que o estado de direito democrático se uniu para resolver uma questão em que todos ganham", afirmou.
Um agradecimento especial foi feito às forças responsáveis pela retomada do território. "Muito obrigado à Polícia Militar, Civil e Federal, assim como as três forças armadas, pelo empenho com o único objetivo de trazer a paz", completou.

Ataques começaram no domingo ao meio-dia
A onda de ataques violentos no Rio e Grande Rio começou no domingo 21 de novembro, por volta do meio-dia, na Linha Vermelha, quando seis bandidos armados com cinco fuzis e uma granada fecharam a pista sentido Centro, altura de Vigário Geral. Os criminosos, em dois carros, levaram pertences de passageiros e queimaram dois veículos, após expulsarem os ocupantes. Para o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, as ações criminosas são uma reação contra a política de ocupação de territórios do tráfico, por meio das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e a transferências de bandidos para presídios federais em outros estados.
Na manhã da segunda-feira, cinco bandidos armados atacaram motoristas no Trevo das Margaridas, próximo à Avenida Brasil, em Irajá, também na Zona Norte. Os criminosos roubaram e incendiaram três veículos. No mesmo dia, criminosos armados com fuzis atiraram em uma cabine da PM na rua Monsenhor Félix, em frente ao Cemitério de Irajá. A PM acredita que o incidente tenha sido provocado pelos mesmos bandidos que haviam incendiado os três carros na mesma manhã. À noite, traficantes incendiaram dois carros na Rodovia Presidente Dutra, na altura da Pavuna. Foi o quinto ataque a motoristas em menos de 48 horas. Na Zona Norte, outra cabine da Polícia Militar foi metralhada.
No dia seguinte, as polícias Militar e Civil se uniram para reforçar o patrulhamento pelas ruas do Rio. O efetivo foi redobrado para controlar os ataques dos bandidos. A operação, que se chamou 'Fecha Quartel', suspendeu todas as folgas dos policiais militares do Rio de Janeiro. Mais de 20 favelas foram invadidas e armas e drogas foram apreendidas. Bandidos foram presos e alguns criminosos mortos em confronto com agentes.
Na quarta-feira 24 de novembro, novos ataques: ônibus, van e carros foram incendiados na Zona Norte do Rio, Baixada Fluminense e Niterói. Sérgio Cabral, governador do Rio, desafiou os bandidos: 'Não há paz falsa. Não negociamos'. Em uma reunião de cúpula da Segurança Pública do Estado, ficou decidido que a Marinha daria apoio logístico às operações de resposta aos ataques de bandidos.
Em mais um dia de veículos incendiados espalhados pela cidade, mais de 450 homens - entre polícias Militar e Civil e fuzileiros da Marinha, com o apoio de blindados de guerra da força naval, tomaram a Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Emissoras de tv mostraram, ao vivo, centenas de bandidos armados fugindo para comunidades vizinhas. Cenas históricas que mostram a atual situação do Rio de Janeiro.