Os dois senadores eleitos no estado este ano falam a ‘O DIA’ sobre suas prioridades
POR MARCOS GALVÃO
Rio - Senadores eleitos pelo Rio de Janeiro, Lindberg Farias (PT) e Marcelo Crivella (PRB) terão grandes compromissos pela frente a partir de 1º de fevereiro, quando assumirão seus cargos. A curto prazo, Crivella — reeleito para novo mandato — e Lindberg — que estreia como senador — terão como principal compromisso a luta pela manutenção dos royalties do petróleo no Estado do Rio. Os dois dizem que, no momento, estacionaram suas pretensões políticas e só pensam no Senado.
Integrantes de partidos da base de sustentação da presidenta eleita, Dilma Rousseff (PT), Lindberg e Crivella também deverão buscar, com o apoio de outro aliado, o senador Francisco Dornelles (PP) — eleito em 2006 —, recursos para a viabilidade de dois importantes eventos: a Copa do Mundo de 2014, que terá o Rio como uma das cidades-sede, e as Olimpíadas do Rio, em 2016.
Senador mais votado, com 4.213.749 votos, Lindberg aposta na parceria com o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) para que o estado continue a receber o mesmo aporte de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O senador Marcelo Crivella, que na campanha à reeleição teve o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, obteve 3.332.886 votos. Crivella diz que o seu partido, o PRB, que hoje tem o vice, José Alencar, não entrará na barganha por cargos nos ministérios, mas deixa claro que vai lutar por mais espaço no governo.
5 minutos com: senador eleito pelo Rio Lindberg Farias (PT)
Para o senador eleito Lindberg Farias (PT), o estado do Rio vive um momento ‘ímpar’ de transformação, motivado pela proposta dos governos estadual e federal de pacificação de todas as comunidades dominadas pelo tráfico. Otimista, crê que a emenda da nova divisão dos royalties do petróleo do Rio será vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
1.Quais serão seus primeiros objetivos quando o senhor assumir o cargo de senador?
— Vou trabalhar pela defesa do Rio. Vivemos um momento ímpar, em que teremos a oportunidade, com a parceria do governos estadual e federal, de pacificar todas as comunidades dominadas pelo tráfico até 2016. Vou me empenhar nesse projeto e também vou defender o Rio na luta pelos royalties. Creio que o (presidente) Lula vai vetar a emenda e vai obrigar o Parlamento a ter uma nova discussão, a definir as regras. Tenho certeza: o Rio não será prejudicado.
2. O fato de os três senadores do Rio serem da base aliada facilita a busca de recursos para o estado?
— Não só os três senadores são da base aliada, como o governador Sérgio Cabral e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, são do PMDB, partido aliado. Vamos trabalhar de forma integrada para que o Rio seja cada vez mais fortalecido.
3. O senhor chegou a ensaiar uma candidatura ao governo do estado pelo PT. Esse projeto ainda existe?
— Não penso nisso. Só quero atuar em Brasília, fazer o melhor pelo Rio e ajudar o governador Sérgio Cabral no que for melhor para o estado. Quero ser um parceiro do governador para fazer uma grande transformação no estado do Rio.
5 minutos com: senador reeleito pelo Rio Marcelo Crivella (PRB)
Para o senador Marcelo Crivella (PRB), a união dos políticos do Rio contra a emenda do pré-sal, ocorrida no ano passado, deve continuar. Ele prega a união da classe política para que o Rio continue recebendo grande aporte de investimentos.
1.Quais serão suas principais propostas como senador reeleito pelo Rio?
— A curto prazo, temos a questão dos royalties e a CPI das Fronteiras (que dá poder de polícia federal ao Exército nas fronteiras). Mas é fundamental que, ao longo do mandato, possamos manter no Rio o mesmo nível de investimento federal dos últimos anos.
2. O senhor acha que a bancada do Rio deve se manter unida em torno de outros assuntos, assim como na questão do pré-sal?
— Essa coalizão ocorreu e deve ser mantida. Mobilizei vários senadores para nos opormos à emenda. Infelizmente foi aprovada outra emenda, mas o presidente Lula deverá vetá-la. Essa é uma luta da qual não desistirei. Se preciso, irei ao Supremo Tribunal Federal (STF).
3. No governo atual, o PRB tem o vice, José Alencar. No governo de Dilma, o partido vai lutar por mais espaço?
— É natural que isso ocorra. O partido tem crescido e é justo que busque participação maior no governo que apoia. Entretanto, a palavra final será sempre da presidenta eleita, Dilma Rousseff.
4. O senhor já disputou uma eleição para governador do Rio e duas para a Prefeitura do Rio. Ainda pensa em ser prefeito ou governador?
— Sou brasileiro e não desisto nunca. Mas, sinceramente, hoje, só penso no Senado.