Núcleo de combate vira vilão
Carros que deveriam estar nas ruas contra a dengue podem ser foco do mosquito na Zona Oeste
POR FERNANDA ALVES
Rio - Em casa de ferreiro, o espeto é de pau, já diz o ditado. Na garagem do Núcleo de Combate à Dengue da Secretaria Municipal de Saúde, em Campo Grande, cerca de 20 carros que deveriam estar nas ruas contra a doença estão abandonados num matagal, gerando possíveis focos de reprodução do mosquito da dengue. A menos de 100 metros dali, uma moradora de 11 anos está com a doença. E outros vizinhos já foram infectados mais de uma vez.
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Em 2007, O DIA denunciou o abandono, nesse mesmo local, de 80 veículos doados pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em 2002. Ontem, os cerca de 20 vistos pela reportagem do jornal tinham o mesmo adesivo dos flagrados em 2007. A secretaria não soube informar se os automóveis são os mesmos. O terreno também serve de garagem para carros em bom estado, que transportam diariamente agentes de saúde.

Segundo moradores da região, não há cuidado com os veículos abandonados. “Ficam todos largados. Só são retirados quando a imprensa reclama. Tenho medo de que estejam armazenando água e se tornando criadouros de mosquitos”, revelou um comerciante da área.
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Enquanto isso, a pequena Larissa Abreu, 11, moradora da Rua Charles Dickens, vizinha da garagem, passa mal há três dias com dengue. “Ela começou a sentir dores do corpo na terça e teve febre alta”, contou a avó da menina, Valcir Conceição Silva, 56 anos. A aposentada teme pelo descaso da prefeitura. “Se eles não cuidam nem do quintal deles, como vou me sentir segura de que estão combatendo o mosquito?”, questiona. Na vizinhança, para muitos moradores, já é rotina passar repelentes para sair na rua. “Passo em mim e nos meus filhos a cada 4 horas”, contou a técnica de enfermagem Erica Matos, 34.
Falta vistoria pelo bairro
O medo de ter novamente a doença em uma possível futura epidemia aterroriza Enilda Paula Barbosa, 61 anos. A costureira, que da janela consegue ver a garagem dos carros sucateados, revela que a proximidade com o Núcleo de Combate à Dengue só traz mais insegurança.
“Eles não fazem vistorias nas casas para ver vasos de plantas e caixa d’água há pelo menos três anos”, contou Enilda, que já teve dengue duas vezes, assim como as duas filhas, que moram na mesma casa.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que os carros guardados no local não têm condições mecânicas de uso, e que está em curso processo de baixa de patrimônio, para que sejam inutilizados. Segundo a secretaria, o pátio e os automóveis passam por vistorias rotineiras para evitar focos de mosquito.
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Em 2007, O DIA denunciou o abandono, nesse mesmo local, de 80 veículos doados pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em 2002. Ontem, os cerca de 20 vistos pela reportagem do jornal tinham o mesmo adesivo dos flagrados em 2007. A secretaria não soube informar se os automóveis são os mesmos. O terreno também serve de garagem para carros em bom estado, que transportam diariamente agentes de saúde.

No pátio do Núcleo de Combate à Dengue, em Campo Grande, picapes e Kombis doadas à prefeitura para eliminar o mosquito são tomadas pelo mato | Foto: Deisi Rezende / Agência O Dia
A infectologista do Instituto de Pesquisas Clínicas Evandro Chagas (Ipec/Fiocruz) Jois Ortega ressalta que não é recomendado deixar caçambas de caminhonetes sem proteção em locais sujeitos a receber água das chuvas.Segundo moradores da região, não há cuidado com os veículos abandonados. “Ficam todos largados. Só são retirados quando a imprensa reclama. Tenho medo de que estejam armazenando água e se tornando criadouros de mosquitos”, revelou um comerciante da área.
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Enquanto isso, a pequena Larissa Abreu, 11, moradora da Rua Charles Dickens, vizinha da garagem, passa mal há três dias com dengue. “Ela começou a sentir dores do corpo na terça e teve febre alta”, contou a avó da menina, Valcir Conceição Silva, 56 anos. A aposentada teme pelo descaso da prefeitura. “Se eles não cuidam nem do quintal deles, como vou me sentir segura de que estão combatendo o mosquito?”, questiona. Na vizinhança, para muitos moradores, já é rotina passar repelentes para sair na rua. “Passo em mim e nos meus filhos a cada 4 horas”, contou a técnica de enfermagem Erica Matos, 34.
Falta vistoria pelo bairro
O medo de ter novamente a doença em uma possível futura epidemia aterroriza Enilda Paula Barbosa, 61 anos. A costureira, que da janela consegue ver a garagem dos carros sucateados, revela que a proximidade com o Núcleo de Combate à Dengue só traz mais insegurança.
“Eles não fazem vistorias nas casas para ver vasos de plantas e caixa d’água há pelo menos três anos”, contou Enilda, que já teve dengue duas vezes, assim como as duas filhas, que moram na mesma casa.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que os carros guardados no local não têm condições mecânicas de uso, e que está em curso processo de baixa de patrimônio, para que sejam inutilizados. Segundo a secretaria, o pátio e os automóveis passam por vistorias rotineiras para evitar focos de mosquito.