domingo, 27 de março de 2011

Dengue: sem sintomas em 70% dos casos


Só 33% dos que são infectados pelo Aedes aegypti ficam doentes. Os outros sequer sabem que podem ter forma mais grave da doença se forem contaminados de novo

Rio - Se você é daqueles que se diz sortudo porque nunca pegou dengue, saiba que pode estar enganado. Segundo epidemiologistas, quase 70% das pessoas que têm a doença nem ficam sabendo que foram infectadas. Isso porque somente 33% dos doentes sofrem com os sintomas. A princípio, desconhecer que já teve dengue pode não ser um problema. Mas fique atento: de acordo com médicos, a probabilidade de ter um tipo grave da doença é maior a partir da segunda vez em que a pessoa é infectada.

“Quando a pessoa é infectada pelo vírus 2 da dengue, por exemplo, e esta pessoa já teve outro tipo, o sistema imunológico acaba facilitando a entrada deste segundo vírus na célula. Esta é uma das justificativas para explicar porque a segunda infecção geralmente é mais grave do que a primeira” explica o infectologista Edimilson Migowski, da UFRJ, acrescentando que cada pessoa pode ser infectada apenas uma vez por cada um dos quatro tipos do vírus da doença.

A dengue também pode ser traiçoeira em relação ao diagnóstico, pois os principais sintomas podem ser confundidos com os de doenças, como pneumonia, meningite, viroses e até infecção urinária.
Divulgação
ERROS NOS DIAGNÓSTICOS
“Muitas doenças apresentam as mesmas características da dengue. Isso é ruim, pois a evolução dela pode ser rápida. Em um único dia, uma pessoa pode passar de uma dengue clássica para uma hemorrágica. Por isso, é fundamental prestar atenção em como os sintomas se apresentam e até procurar outro profissional se não se sentir seguro com o diagnóstico”, alerta a infectologista do Instituto de Pesquisas Clínicas Evandro Chagas (Fiocruz), Jois Ortega.

Como O DIA mostrou, em três dias pelo menos duas pessoas morreram no Rio após diagnóstico tardio de dengue. Pai do menino Rodrigo, que morreu em 2008 vítima da doença aos 6 anos, Marcos Roig está indignado ao ver o mesmo cenário que custou a vida do seu filho. “É inadmissível. Meu filho teve diagnóstico de virose na primeira clínica. Na segunda, diagnosticaram dengue mas deram alta a ele. Horas depois, meu filho morreu na terceira clínica. Perdemos tempo precioso”, lamenta.

Após a morte do filho, Marcos fundou a Associação de Vítimas da Dengue (Avide), que recebe denúncias sobre possíveis focos na página da entidade na Internet.

Secretário de Saúde visita unidades de atendimento

O secretário municipal de Saúde, Hans Dohmann, percorreu ontem algumas unidades de saúde localizadas em bairros estratégicos para atender, exclusivamente, pessoas com suspeita de dengue. Ele informou que o atendimento foi dentro do esperado e que o movimento foi “tranquilo” nos postos. Durante a visita, ele conversou com pacientes que estavam sendo hidratados.

Hans lembrou que a Prefeitura do Rio vai entrar, na primeira semana de abril, em casas não visitadas por agentes.

Segundo informações divulgadas, sexta-feira, pela Secretaria Municipal de Saúde, a capital já registra mais de 10 mil casos da doença desde janeiro.

As comunidades da Babilônia e Chapéu Mangueira, no Leme, receberam ontem o lançamento da campanha “10 minutos contra a Dengue”. A iniciativa da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil em parceria com o Instituto Oswaldo Cruz quer incentivar a população a gastar dez minutos por semana, verificando locais que podem ser criadouros do Aedes Aegypti, mosquito transmissor da dengue.