quarta-feira, 16 de março de 2011

'Voltou a censura?'

Furacão 2000 protesta e MC Naldinho promete resposta à multa pela música 'Um tapinha não dói'

Extra

RIO - A multa de R$ 500 mil determinada pela 7ª Vara Federal de Porto Alegre à equipe de som Furacão 2000 Produções Artísticas por ter lançado a música "Um tapinha não dói", há oito anos, já tem resposta pronta. Responsável pela equipe de som carioca, Rômulo Costa se disse surpreso com a sentença e disse que vai recorrer

- Minha surpresa maior foi a condenação, porque a música não tem ofensa nenhuma às mulheres. Era uma brincadeira. Inclusive, já se passou tanto tempo que o autor, MC Naldinho, se mudou para São Paulo. Sem dúvida nenhuma nós vamos recorrer. Afinal, quem determina qual a música que pode ou não tocar? Aqueles MCs que faziam apologia ao tráfico sempre me disseram que a condenação para eles era uma cesta básica. E a recebe uma dessas?Você concorda com a decisão da Justiça?
Eu fiz a música para minha filha
Compositor da música, MC Naldinho se defende também.
- Eu fiz a música para minha filha, Carolaine, por um simples desvio que ela teve. Uma vez, dei um tapa na bunda dela, que me disse: "Pai, um tapinha não dói". Aí, pensei em fazer a música. Fiz, e ela aconteceu. Foi gravada por vários artistas, virou um hit e até hoje toca. Eu tenho orgulho de ser autor e intérprete de uma das músicas mais executadas entre 2000 e 2005. Ela foi gravada pelos grupos É o Tchan e As meninas; e saiu no DVD do Caetano Veloso. Se fosse como a Justiça está falando, a Xuxa, que trabalha com o público infantil, não gravaria.
Estou fazendo "A resposta do tapinha" para mostrar que não é uma agressão
O compositor diz que responderá de outra forma:
- Estou fazendo "A resposta do tapinha" para mostrar que não é uma agressão.
A ação, ajuizada em 2003, considera que a letra banaliza a violência contra as mulheres e transmite uma visão preconceituosa sobre a imagem delas, além de dividi-las em boas ou más, conforme sua conduta sexual, e foi movida pelo Ministério Público Federal de Porto Alegre e pela Themis - Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero
De acordo com a decisão do juiz Adriano Vitalino dos Santos, da 7ª Vara Federal de Porto Alegre, o valor da multa será doado para o Fundo Federal de Defesa dos Direitos. A quantia deverá ser corregida e acrescida de juros.




'Voltou a censura?', reclama dono da Furacão 2000

Rômulo Costa diz que vai recorrer da decisão da Justiça que o multou em R$ 500 mil.
Para ele, multa por ‘Um tapinha não dói’ abre precedente contra músicos.
Do G1, no Rio
Foto: Site oficial 
A equipe foi multada em R$ 500 mil pela música 'Um tapinha não dói' (Foto: reprodução / site oficial)

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  • Equipe Furacão 2000 é multada por 'Um Tapinha Não Dói'

A equipe de som Furacão 2000 vai recorrer da decisão da Justiça que multa a produtora em R$ 500 mil pelo lançamento da música "Um Tapinha Não Dói", hit do funk.

Segundo a juíza responsável, a música banaliza a violência contra a mulher, transmite uma visão preconceituosa contra a imagem da mesma, além de dividir as mulheres em boas ou más conforme sua conduta sexual.

“Voltou à censura?”, questiona Rômulo Costa, dono da Furacão, que não acha justa a decisão.

"Acho injusto. Isso é cercear a nossa liberdade, não poder colocar as pessoas para cantar. É um precedente muito sério”, reclama ele, que diz ainda que não tem condições financeiras de pagar a multa.

“Com juros e correção, o valor pode chegar a quase R$ 1 milhão. Não teríamos condições de arcar com isso. Se tivesse esse dinheiro, parava de trabalhar”, ironiza.

  A ação na Justiça
A ação foi ajuizada em 2003, pelo Ministério Público Federal e pela Themis – Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero.

Na época, o então procurador Regional dos Direitos do Cidadão Paulo Gilberto Cogo Leivas afirmou que "esse tipo de música ofende não só a dignidade das mulheres que comportam-se de acordo com o descrito em suas letras, mas toda e qualquer mulher, por incentivar à violência, tornarem-na justificável e reproduzirem o estigma de inferioridade ou subordinação em relação ao homem".

Conforme decisão do juiz substituto Adriano Vitalino dos Santos, da 7ª Vara Federal de Porto Alegre, o valor da multa será revertido em favor do Fundo Federal de Defesa dos Direitos, conforme estabelecido em lei. A quantia deverá ser monetariamente atualizada, acrescida de juros.