segunda-feira, 28 de março de 2011

Vem aí mais uma jura em falso do Serra

Vem aí mais uma jura em falso do Serra

Anteontem escrevi aqui que era injusto não reconhecer o esforço de José Serra para seguir os passos de Carlos Lacerda, que migrou de uma juventude de esquerda para a posição de mais visível representante da direita radical na política brasileira.
E lembrei a “conversão” religiosa fundamentalista de Serra e até do “atentado de bolinha de papel” com que quis reviver o drama da Rua Tonelero, em 54.
Falta-lhe o talento, claro, mas não a perseverança.
Agora, leio no Valor de hoje  a seguinte matéria:
“Começa a ganhar força nos bastidores que, na hipótese de Serra se candidatar à prefeitura da capital, Alckmin deverá ceder. Sem um nome de consenso entre seus pares, com força para largar na frente na corrida eleitoral, Alckmin tiraria, com Serra, um adversário do páreo: muito ligado ao ex-governador, Kassab, que está recolhendo assinaturas para a criação do PSD, não lançaria candidato à sua sucessão contra seu padrinho político, restando-lhe a alternativa de compor com o tucano.”
E alguém tem dúvida de que, candidato a prefeito, José Serra hesitará um segundo em assinar outro papelucho, como fez em 2004, jurando que permanecerá os quatro anos no cargo?
E me lembrei que, quando Lacerda assumiu seu mandato de deputado federal, em 55, também meu avô tomava posse na Câmara.
E aí, Lacerda foi jurar a Constituição. Vou deixar que o próprio Leonel Brizola descreva o que se passou, numa narrativa a TV Cultura:
““Então, no dia da nossa posse no Congresso, eu até estava com uma Tribuna da Imprensa na mão com aquela manchete. Eu digo: ‘ bom, Lacerda também, tomando posse como deputado federal’. Digo: ‘eu vou interpelar esse sujeito’. Fui pro microfone ali, fiquei nas proximidades do microfone. E a mesa fazendo a chamada: ‘fulano de tal: assim eu prometo’. Fazendo o juramento. ’Fulano de tal, assim eu prometo’. Dali a pouco, Carlos Lacerda. Antes de ele dizer ‘assim eu prometo’, eu digo: ‘pela ordem, Sr. Presidente. Este é um juramento falso. Ele está jurando aqui dentro a democracia e está pregando o golpe lá fora’. Não deu tempo de nada, nem de cortar o microfone, a campainha… aquele barulho… foi uma ovação no Congresso, e ele ficou: ‘ o que é que é isso… o que não é isso…’. Depois desligaram o microfone, mas o fato é que eu fiz. Bom, eu ganhei uma manchete geral na imprensa brasileira no dia seguinte e marquei uma posição ali.”
Tomara que, quando chegarem os debates da campanha municipal, quando Serra der ao campo nacional e popular mais uma chance de derrubar o “bunker” paulista do conservadorismo, haja ali um adversário com peito para fazer o mesmo que Brizola fez com Lacerda.
Tomara, mas duvido um pouco, porque os nossos políticos andam muito comportadinhos quando se trata e rapapés e gentilezas. Mas seria muito bom, porque é a verdade e a verdade deve ser dita.