segunda-feira, 11 de abril de 2011

Após pichações, casa onde vive irmã do atirador é lavada por ex-alunos da escola em Realengo


Rio - A casa onde vive a irmã de Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos, foi lavada por ex-alunos da escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na manhã desta segunda-feira. A frente da residência foi pichada e depredada no último fim de semana. As informações são do “Mais Você”, da TV Globo.

Manifestação
A casa em que morou o atirador Wellington Menezes no bairro de Realengo, na Zona Oeste do Rio, amanheceu com os muros e portões pichados no último sábado. O assassino, que matou 12 crianças na última quinta-feira na escola Tasso da Silveira, havia se mudado há quatro meses para o bairro de Sepetiba, também na Zona Oeste.
Foto: Deisi Rezende / Agência O Dia
Policiais conferem depedração na casa onde morou Wellington Menezes | Foto: Deisi Rezende / Agência O Dia
Entre as pichações, estavam as palavras "assassino" e "covarde". Também na manhã de sábado, estudantes fizeram novas homenagens às 10 meninas e dois meninos mortos no massacre. Flores, cruzes, balões e um painel para mensagens foram colocados diante do colégio municipal, palco do crime.
Psicopata mata 12 estudantes em colégio municipal

Manhã de 7 de abril de 2011. São 8h20 de mais um dia que parecia tranquilo na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste. Mas o psicopata que bate à porta da sala 4 do segundo andar está prestes a mudar a rotina de estudantes e professores, que festejam os 40 anos do colégio. Wellington Menezes de Oliveira, um ex-aluno de 24 anos, entra dizendo que vai dar palestra. Coloca a bolsa em cima da mesa da professora, saca dois revólveres e dá início a um massacre em escola sem precedentes na História do Brasil. Nos minutos seguintes, a atrocidade deixa 12 adolescentes mortos e 12 feridos.

>> FOTOGALERIA: Imagens mostram como ficou a sala de aula após ataque

Transtornado, o assassino atacou alunos de duas turmas do 8º ano (1.801 e 1.802), antiga 7ª série. As cenas de terror só terminam com a chegada de três policiais militares. No momento em que remuniciava dois revólveres pela terceira vez, o assassino é surpreendido por um sargento antes de chegar ao terceiro andar da escola. O tiro de fuzil na barriga obriga Wellington a parar. No fim da subida, ele pega uma de suas armas e atira contra a própria cabeça.

Na escola, a situação é de caos. Enquanto crianças correm — algumas se arrastam, feridas —, moradores chegam para prestar socorro. PMs vasculham o prédio, pois havia a informação da presença de outro atirador. São mais cinco minutos de pânico e apreensão. Em seguida, começa o desespero e o horror das famílias.

A notícia se alastra pelo bairro. Parentes correm para a escola em busca de notícias. O motorista de uma Kombi para em solidariedade. Ele parte rumo ao Hospital Albert Schweitzer, no mesmo bairro, com seis crianças na caçamba, quase todas com tiros na cabeça ou tórax.

Wellington, que arrasou com a vida de tantas famílias, era solitário. Segundo parentes, jamais teve amigos e passava os dias na Internet ou lendo livros sobre religião. Naquela mesma escola, entre 1999 e 2002, período em que lá estudou, foi alvo de ‘brincadeiras’ humilhantes de colegas, que chegaram a jogá-lo na lata de lixo do pátio.
A carta encontrada dentro da bolsa do assassino tenta explicar o inexplicável. Fala em pureza, mostra uma incrível raiva das mulheres — dez dos 12 mortos — e pede para ser enrolado num lençol branco que levou para o prédio do massacre. O menino que não falava com ninguém deixou seu recado marcado com sangue de inocentes estudantes de Realengo.