quarta-feira, 27 de abril de 2011

Atenção máxima: Volta a chover em vários pontos do Rio


Rio - O município do Rio está, desde a tarde desta terça-feira, em estágio de atenção, de acordo com o último boletim divulgado pelo Centro de Operações. O estágio é o segundo em uma escala de quatro níveis e se caracteriza pela possibilidade de chuva moderada, ocasionalmente forte, nas próximas horas. A chuva voltou a cair em alguns pontos da Zona Norte e Oeste da cidade como os bairros do Grajaú, Ilha do Governador e Recreio dos Bandeirantes.  Também chove em São Cristóvão.

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O Centro de Operações informa, ainda, que a probabilidade de escorregamento continua muito alta nas encostas da região da Grande Tijuca, Andaraí, Lins, Grajaú, Rio Comprido e Alto da Boa Vista. A orientação da Defesa Civil é para que as pessoas que moram em áreas de risco se dirijam a pontos de apoio em locais seguros e permaneçam lá até a chuva parar. E nas comunidades onde há sirenes, ao ouvir o sinal, os moradores devem obedecer a orientação dos agentes.

Até as 17h30min desta terça-feira, a Defesa Civil registou 373 ocorrências. A maior parte das solicitações foi em decorrência de alagamentos, com 69 registros, seguido de imóveis com rachaduras (37), ameaças de desabamento (27), deslizamentos de barreira atingindo imóvel ou veículo (26) e deslizamentso de barreira (24). Os bairros que mais registraram chamados foram Tijuca (50), Vila Isabel (22), Andaraí (22), Praça da Bandeira (16), Engenho Novo (15), Rio Comprido (14).
Pátio do Cefet, no Maracanã, ficou completamente alagado | Foto: Carlos Eduardo Cardoso / Agência O Dia
Consequências trágicas

Um homem morreu afogado e uma mulher foi atingida por descarga elétrica durante o temporal que castigou o Rio na noite de segunda e madrugada desta terça. Uma pedra gigantesca - de 300 metros cúbicos - rolou sobre a Estrada Grajaú-Jacarepaguá, sentido Zona Oeste, e atingiu o carro da ex-BBB, Inês Carolina.

Pela primeira vez desde que foram implantadas, a Defesa Civil Municipal acionou a sirene de alerta em 10 comunidades da Tijuca, bairro mais atingido pela chuva. Mais de 120 moradores de áreas de risco deixaram suas casas e seguiram para os pontos de apoio, orientados por agentes comunitários. No mesmo bairro, uma mulher foi atingida por uma descarga elétrica na Rua Conde de Bonfim e foi levada para o Hospital do Andaraí.
Homem mostra carro perdido durante enchente na Praça da Bandeira | Osvaldo Praddo / Agência O Dia
Transtorno, limpeza muita paciência

Quando as águas dos rios Maracanã, Trapicheiros e Joana começaram a baixar, por volta das 4h desta terça, comerciantes e moradores da Praça da Bandeira arregaçaram as mangas para limpar lojas, portarias e casas.  O excesso de lixo acumulado nas ruas foi apontado como um dos grandes vilões da enchente deste ano.  O prefeito Eduardo Paes admitiu que a Comlurb teve dificuldades para fazer a frota de caminhões circular pela cidade, o que prejudicou a coleta.

"Na Rua Bela, em São Cristóvão, por exemplo, os caminhões tiveram dificuldade para sair, mas está previsto nas obras do PAC 2 a transformação da região da Praça da Bandeira, que há anos sofre com alagamentos. Com certeza, até o fim do ano, as obras vão começar. Não é uma obra rápida, acho que a população ainda vai sofrer um pouco com a Praça da Bandeira, mas o importante é que a obra será de suma importância para a cidade", garantiu o prefeito. 

Na esquina da Pereira de Almeida e Matoso, o comerciante e sócio do Augusto's Bar Mário Luís Rodrigues Gonzaga, 41 anos, disse que a enchente deste ano foi a pior de todas. "A água bateu na minha cafeteira, que fica sobre o balcão e olha que o bar tem um degrau grande que o separa da rua, mesmo assim encheu tudo muito rápido", revelou ele, que tentou evitar um prejuízo maior colocando peso sofre o freezer que  a água ameaçava levar.
Foto: Leitora Aline Martins
Quantidade de chuva na Avenida Maracanã cria ondas na calçada | Foto: Leitora Aline Martins
Já o advogado aposentado Alceu Lima, 70, procurou manter o bom humor ao ver o seu carro arrastado pelas águas. "Não adianta a gente chorar, o jeito é manter a calma e ver o que pode ser feito. No meu caso, não tive saída porque a chuva me pegou quando fazia a travessia para a Zona Norte", explicou ele.  Outro que sofreu ao ver o carro sobre um frade de rua foi o livreiro Marco da Silva Antunes, 39. "É preciso paciência mesmo. Quero saber como a gente vai sediar a Copa do Mundo sem condições de fazer a água escoar", comentou.

Sufoco de quem ficou preso no trânsito


O Elevado Paulo de Frontin virou estacionamento por causa da forte chuva. Orientados por operadores de tráfego da CET-Rio e protegidos por uma patrulha da Polícia MIlitar, mais de 80 motoristas não tiveram dúvidas em transformar a pista do viaduto, sentido Zona Norte e Centro, em estacionamento.

"Minha mãe me ensinou que sem paciência não se vai a lugar algum, portanto é melhor ficar aqui até porque escutei pelo rádio que a Praça da Bandeira estava alagada", explicou assistente administrativo Márcia Silva, 53, que saiu de Ipanema em direção ao Grajaú. O trajeto, feito em 30 minutos, levou mais de seis horas.

O comerciante Raimundo do Carmo Pereira, 48, estava irritado com o tempo perdido sobre o viaduto. "Achei melhor parar, avisei a família, mas a verdade é que dá uma vontade danada de enfrentar a enchente. O problema é que o carro é da minha mulher", disse ele, que completou seis horas à espera da fluidez do trânsito para seguir viagem pela Ponte Rio-Niterói.

Em companhia da filha Bernardete da Silva, 17, a esteticista Júlia dos Santos, 34, criticou a conduta dos responsáveis pelo viaduto. "Eles poderiam rebocar os carros parados para que pudéssemos atravessar a Praça da Bandeira",  sugeriu ela, que saiu da Lagoa em direção à Vila Isabel.

Para o médico Ronaldo Vegni, 47, a viagem de Botafogo para Niterói foi transformada numa verdadeira aventura devido à chuva. "Pelo menos a gente viu a prefeitura mobilizada, a PM por aqui, caso contrário acho que não haveria um carro sequer", previu ele. Sob o viaduto, o motorista da Viação Fabio's Gilson Geraldo Marques, 42, disse que a experiência do ano passado serviu como experiência para suportar outra enchente. "É um fenômeno da natureza, por isso é preciso paciência. E não vou perder a minha até porque era para eu ter largado às 22h30 de segunda-feira mas já são 4h30 da manhã de terça e ainda estou aqui", lamentou.

Motorista aguarda o reboque por seis horas

Cirlene Pires de Magalhães, 39, é motorista de ônibus há quatro anos. Na madrugada desta terça-feira, ela sentiu na pele o verdadeiro sentido de uma das principais virtudes do bom motorista: a paciência. Ela esperou seis horas para ser resgatada pelo reboque da Viação Tijuquinha, que não conseguiu atravessar para atender o chamado. Ilhada por causa da chuva na Rua Joaquim Palhares, no Estácio, Cirlene culpou o excesso de água pela pane elétrica.

"Quando passei pela Conde de Bonfim, senti que o veículo ficou estranho. Ele parou e não quis pegar mais. Os passageiros trocaram de carro e, como ele pegou de novo, eu segui para levá-lo em direção à garagem, mas no engarrafamento que eu peguei aqui no Estácio, o ônibus não andou mais", explicou ela, que trabalha na linha Barra-Rodoviária. "Fiquei com medo de ficar por aqui, principalmente quando o trânsito voltou a andar porque ficou muito deserto", lamentou.