Rio - Até o fim da noite de ontem, o corpo de Wellington permanecia no Instituto Médico-Legal (IML). O instituto aguardará que alguém providencie a liberação até o dia 22. Caso ninguém apareça, o assassino será enterrado como ‘corpo não reclamado’.

Moradores de Realengo, vizinhos da casa da família de Wellington Menezes de Oliveira, promoveram um mutirão para recuperar a fachada da residência, em uma rua próxima à escola. O muro do imóvel havia sido pichado com xingamentos ao assassino, durante o fim de semana, por pessoas revoltadas com o massacre.
O cabeleireiro Marcos Gebartim, um dos organizadores do mutirão, contou que os vizinhos se assustaram com o vandalismo contra a casa da família de Wellington. Além das ofensas pintadas no muro, houve, segundo moradores, tijolos jogados contra as vidraças e ameaças de incendiar a residência. Após as depredações, policiais militares passaram a vigiar o local 24 horas por dia.
No início da tarde de ontem, depois da pintura, um cartaz pedindo paz e até uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foram deixadas em frente ao endereço. Pelo bairro, muitas janelas exibiam bandeiras e faixas brancas.

Psicopata mata 12 estudantes em colégio municipal
Manhã de 7 de abril de 2011. São 8h20 de mais um dia que parecia tranquilo na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste. Mas o psicopata que bate à porta da sala 4 do segundo andar está prestes a mudar a rotina de estudantes e professores, que festejam os 40 anos do colégio. Wellington Menezes de Oliveira, um ex-aluno de 24 anos, entra dizendo que vai dar palestra. Coloca a bolsa em cima da mesa da professora, saca dois revólveres e dá início a um massacre em escola sem precedentes na História do Brasil. Nos minutos seguintes, a atrocidade deixa 12 adolescentes mortos e 12 feridos.
Transtornado, o assassino atacou alunos de duas turmas do 8º ano (1.801 e 1.802), antiga 7ª série. As cenas de terror só terminam com a chegada de três policiais militares. No momento em que remuniciava dois revólveres pela terceira vez, o assassino é surpreendido por um sargento antes de chegar ao terceiro andar da escola. O tiro de fuzil na barriga obriga Wellington a parar. No fim da subida, ele pega uma de suas armas e atira contra a própria cabeça.
Na escola, a situação é de caos. Enquanto crianças correm — algumas se arrastam, feridas —, moradores chegam para prestar socorro. PMs vasculham o prédio, pois havia a informação da presença de outro atirador. São mais cinco minutos de pânico e apreensão. Em seguida, começa o desespero e o horror das famílias.
A notícia se alastra pelo bairro. Parentes correm para a escola em busca de notícias. O motorista de uma Kombi para em solidariedade. Ele parte rumo ao Hospital Albert Schweitzer, no mesmo bairro, com seis crianças na caçamba, quase todas com tiros na cabeça ou tórax.
Wellington, que arrasou com a vida de tantas famílias, era solitário. Segundo parentes, jamais teve amigos e passava os dias na Internet ou lendo livros sobre religião. Naquela mesma escola, entre 1999 e 2002, período em que lá estudou, foi alvo de ‘brincadeiras’ humilhantes de colegas, que chegaram a jogá-lo na lata de lixo do pátio.
A carta encontrada dentro da bolsa do assassino tenta explicar o inexplicável. Fala em pureza, mostra uma incrível raiva das mulheres — dez dos 12 mortos — e pede para ser enrolado num lençol branco que levou para o prédio do massacre. O menino que não falava com ninguém deixou seu recado marcado com sangue de inocentes estudantes de Realengo.

Casa da irmã de Wellington Menezes foi recuperada | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Parentes de Wellington revelaram que preferem continuar anônimos, pois temem virar alvo de violência.Moradores de Realengo, vizinhos da casa da família de Wellington Menezes de Oliveira, promoveram um mutirão para recuperar a fachada da residência, em uma rua próxima à escola. O muro do imóvel havia sido pichado com xingamentos ao assassino, durante o fim de semana, por pessoas revoltadas com o massacre.
O cabeleireiro Marcos Gebartim, um dos organizadores do mutirão, contou que os vizinhos se assustaram com o vandalismo contra a casa da família de Wellington. Além das ofensas pintadas no muro, houve, segundo moradores, tijolos jogados contra as vidraças e ameaças de incendiar a residência. Após as depredações, policiais militares passaram a vigiar o local 24 horas por dia.
No início da tarde de ontem, depois da pintura, um cartaz pedindo paz e até uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foram deixadas em frente ao endereço. Pelo bairro, muitas janelas exibiam bandeiras e faixas brancas.

Policiais conferem depedração na casa onde morou Wellington Menezes | Foto: Deisi Rezende / Agência O Dia
“Não podemos deixar que o mal e a violência se perpetuem. Queremos a paz. A família que o acolheu não tem culpa do que ele fez”, analisou Marcos. Wellington era filho adotivo de Dicéia Menezes Pereira, que morreu há dois anos. Segundo moradores, ela era muito carinhosa com todos no bairro.Psicopata mata 12 estudantes em colégio municipal
Manhã de 7 de abril de 2011. São 8h20 de mais um dia que parecia tranquilo na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste. Mas o psicopata que bate à porta da sala 4 do segundo andar está prestes a mudar a rotina de estudantes e professores, que festejam os 40 anos do colégio. Wellington Menezes de Oliveira, um ex-aluno de 24 anos, entra dizendo que vai dar palestra. Coloca a bolsa em cima da mesa da professora, saca dois revólveres e dá início a um massacre em escola sem precedentes na História do Brasil. Nos minutos seguintes, a atrocidade deixa 12 adolescentes mortos e 12 feridos.
Transtornado, o assassino atacou alunos de duas turmas do 8º ano (1.801 e 1.802), antiga 7ª série. As cenas de terror só terminam com a chegada de três policiais militares. No momento em que remuniciava dois revólveres pela terceira vez, o assassino é surpreendido por um sargento antes de chegar ao terceiro andar da escola. O tiro de fuzil na barriga obriga Wellington a parar. No fim da subida, ele pega uma de suas armas e atira contra a própria cabeça.
Na escola, a situação é de caos. Enquanto crianças correm — algumas se arrastam, feridas —, moradores chegam para prestar socorro. PMs vasculham o prédio, pois havia a informação da presença de outro atirador. São mais cinco minutos de pânico e apreensão. Em seguida, começa o desespero e o horror das famílias.
A notícia se alastra pelo bairro. Parentes correm para a escola em busca de notícias. O motorista de uma Kombi para em solidariedade. Ele parte rumo ao Hospital Albert Schweitzer, no mesmo bairro, com seis crianças na caçamba, quase todas com tiros na cabeça ou tórax.
Wellington, que arrasou com a vida de tantas famílias, era solitário. Segundo parentes, jamais teve amigos e passava os dias na Internet ou lendo livros sobre religião. Naquela mesma escola, entre 1999 e 2002, período em que lá estudou, foi alvo de ‘brincadeiras’ humilhantes de colegas, que chegaram a jogá-lo na lata de lixo do pátio.
A carta encontrada dentro da bolsa do assassino tenta explicar o inexplicável. Fala em pureza, mostra uma incrível raiva das mulheres — dez dos 12 mortos — e pede para ser enrolado num lençol branco que levou para o prédio do massacre. O menino que não falava com ninguém deixou seu recado marcado com sangue de inocentes estudantes de Realengo.