quarta-feira, 13 de abril de 2011

Dilma envia carta à famílias das vítimas de ataque em escola


Rio - A presidente Dilma Rousseff enviou nesta terça-feira 23 cartas a familiares das 12 crianças mortas no massacre da escola Tasso da Silveira, em Realengo, e às vítimas que sobreviveram à chacina promovida pelo atirador Wellington Menezes de Oliveira. O documento é datado do último dia 8, mas ainda não foi entregue a todas as famílias.
Foto: Fernando Souza / Agência O Dia
Parentes da estudante Larissa Atanazio, que morreu no massacre, tentam se consolar com os objetos que a menina mais gostava em seu quarto | Foto: Fernando Souza / Agência O Dia
Na carta, Dilma diz se dirigir às famílias "como mãe e avó", e não como presidente da República, recorda o "momento de perda e angústia" vivido por todos os que tiveram a vida modificada pelo massacre em Realengo, e, em um dos modelos de carta enviados - os textos são diferentes para as famílias dos mortos e para os familiares dos feridos - diz que cada uma das dez meninas e dos dois meninos mortos pelo atirador tem seus nomes inscritos "no leito sagrado dos inocentes".

"Sei que não há qualquer palavra que possa reduzir vossa dor. É terrível que crianças indefesas possam perder seu futuro em um momento de tamanha violência. Dirijo-me a vocês menos pela minha condição de presidenta, pois o coração que me dói é o de mãe e avó. Permitam, mesmo que por um instante, dividir com vocês esse momento de perda e angústia", afirmou Dilma em uma das cartas encaminhadas às famílias de Realengo.

Psicopata mata 12 estudantes em escola municipal

Manhã de 7 de abril de 2011. São 8h20 de mais um dia que parecia tranquilo na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste. Mas o psicopata que bate à porta da sala 4 do segundo andar está prestes a mudar a rotina de estudantes e professores, que festejam os 40 anos do colégio. Wellington Menezes de Oliveira, um ex-aluno de 24 anos, entra dizendo que vai dar palestra. Coloca a bolsa em cima da mesa da professora, saca dois revólveres e dá início a um massacre em escola sem precedentes na História do Brasil. Nos minutos seguintes, a atrocidade deixa 12 adolescentes mortos e 12 feridos.

Transtornado, o assassino atacou alunos de duas turmas do 8º ano (1.801 e 1.802), antiga 7ª série. As cenas de terror só terminam com a chegada de três policiais militares. No momento em que remuniciava dois revólveres pela terceira vez, o assassino é surpreendido por um sargento antes de chegar ao terceiro andar da escola. O tiro de fuzil na barriga obriga Wellington a parar. No fim da subida, ele pega uma de suas armas e atira contra a própria cabeça.

Na escola, a situação é de caos. Enquanto crianças correm — algumas se arrastam, feridas —, moradores chegam para prestar socorro. PMs vasculham o prédio, pois havia a informação da presença de outro atirador. São mais cinco minutos de pânico e apreensão. Em seguida, começa o desespero e o horror das famílias.

A notícia se alastra pelo bairro. Parentes correm para a escola em busca de notícias. O motorista de uma Kombi para em solidariedade. Ele parte rumo ao Hospital Albert Schweitzer, no mesmo bairro, com seis crianças na caçamba, quase todas com tiros na cabeça ou tórax.

Wellington, que arrasou com a vida de tantas famílias, era solitário. Segundo parentes, jamais teve amigos e passava os dias na Internet ou lendo livros sobre religião. Naquela mesma escola, entre 1999 e 2002, período em que lá estudou, foi alvo de ‘brincadeiras’ humilhantes de colegas, que chegaram a jogá-lo na lata de lixo do pátio.

A carta encontrada dentro da bolsa do assassino tenta explicar o inexplicável. Fala em pureza, mostra uma incrível raiva das mulheres — dez dos 12 mortos — e pede para ser enrolado num lençol branco que levou para o prédio do massacre. O menino que não falava com ninguém deixou seu recado marcado com sangue de inocentes estudantes de Realengo.