sexta-feira, 8 de abril de 2011

Massacre de Realango: ONGs de proteção animal rejeitam casa de atirador

ONGs de proteção animal rejeitam casa de atirador

Rio - O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, órgão que agrega entidades de proteção animal em todo o País, rejeitou a possibilidade de seus colegiados receberem a doação do imóvel de Wellington Menezes de Oliveira, responsável pelo assassinato de 12 alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste do Rio.
Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Wellington morava numa casa na Rua do Cacau, a cerca de 300 metros da escola em que cometeu o massacre | Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Em uma carta encontrada ao lado de seu corpo, o atirador relatava o desejo de ver sua casa doada a instituições de proteção a animais. "Eu deixei uma casa em Sepetiba da qual nenhum familiar precisa. Existem instituições pobres, financiadas por pessoas generosas que cuidam de animais abandonados. Eu quero que esse espaço onde eu passei meus últimos meses seja doado a uma dessas instituições, pois os animais são seres muito desprezados e precisam muito mais de proteção e carinho do que os seres humanos", diz trecho do texto.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
"Nenhuma instituição dedicada à defesa da vida haverá de se interessar pela pretensa bondade póstuma de um assassino", diz nota assinada pela presidente do fórum, Sônia Fonseca. "Também não entendemos como um ser humano capaz de tamanha atrocidade contra crianças poderia ter algum sentimento positivo em relação a outras formas de vida", acrescenta Fonseca.

"Nós, que nos dedicamos a defender os animais da crueldade e da violência, lastimamos todo e qualquer derramamento de sangue, e sobretudo, lamentamos a perda de vidas inocentes. Desejamos ardentemente que os pais e familiares das crianças feridas e assassinadas encontrem algum consolo nesta hora de dor imensurável", diz a nota.
Psicopata mata 12 estudantes em colégio municipal

Manhã de 7 de abril de 2011. São 8h20 de mais um dia que parecia tranquilo na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste. Mas o psicopata que bate à porta da sala 4 do segundo andar está prestes a mudar a rotina de estudantes e professores, que festejam os 40 anos do colégio. Wellington Menezes de Oliveira, um ex-aluno de 24 anos, entra dizendo que vai dar palestra. Coloca a bolsa em cima da mesa da professora, saca dois revólveres e dá início a um massacre em escola sem precedentes na História do Brasil. Nos minutos seguintes, a atrocidade deixa 12 adolescentes mortos e 12 feridos.

Transtornado, o assassino atacou alunos de duas turmas do 8º ano (1.801 e 1.802), antiga 7ª série. As cenas de terror só terminam com a chegada de três policiais militares. No momento em que remuniciava dois revólveres pela terceira vez, o assassino é surpreendido por um sargento antes de chegar ao terceiro andar da escola. O tiro de fuzil na barriga obriga Wellington a parar. No fim da subida, ele pega uma de suas armas e atira contra a própria cabeça.

Na escola, a situação é de caos. Enquanto crianças correm — algumas se arrastam, feridas —, moradores chegam para prestar socorro. PMs vasculham o prédio, pois havia a informação da presença de outro atirador. São mais cinco minutos de pânico e apreensão. Em seguida, começa o desespero e o horror das famílias.

A notícia se alastra pelo bairro. Parentes correm para a escola em busca de notícias. O motorista de uma Kombi para em solidariedade. Ele parte rumo ao Hospital Albert Schweitzer, no mesmo bairro, com seis crianças na caçamba, quase todas com tiros na cabeça ou tórax.

Wellington, que arrasou com a vida de tantas famílias, era solitário. Segundo parentes, jamais teve amigos e passava os dias na Internet ou lendo livros sobre religião. Naquela mesma escola, entre 1999 e 2002, período em que lá estudou, foi alvo de ‘brincadeiras’ humilhantes de colegas, que chegaram a jogá-lo na lata de lixo do pátio.

A carta encontrada dentro da bolsa do assassino tenta explicar o inexplicável. Fala em pureza, mostra uma incrível raiva das mulheres — dez dos 12 mortos — e pede para ser enrolado num lençol branco que levou para o prédio do massacre. O menino que não falava com ninguém deixou seu recado marcado com sangue de inocentes estudantes de Realengo.