Perfil atribuído a atirador de Realengo no Orkut tem fotos de cemitérios
No site, perfil aparece como proprietário de comunidade sobre a bíblia
Rio - O perfil no Orkut atribuído ao atirador da Escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Wellington Menezes de Oliveira, traz desde citações bíblicas e até a foto um homem ensanguentado caído no chão e cujo rosto não é possível ver. Apesar de o Google do Brasil não ter confirmado se a página era de fato administrada por Wellington, nela há uma foto do rapaz com uma camisa branca e rosto sério.


No fórum da comunidade, o autor demonstra grande conhecimento do texto bíblico, citando diversas passagens e suas interpretações pessoais. Por volta das 15 horas, a comunidade já havia passado dos mil membros.
Em uma das postagens, feita no dia 26 de março, ele cita um Salmo que diz que "os malfeitores serão exterminados". Em outra, com a mesma data, ele traz outro Salmo que diz: “A tua mão alcançará todos os teus inimigos, a tua destra alcançará todos os que te odeiam. Tu os farás qual fornalha ardente quando vieres; o Senhor os consumirá na sua indignação, e o fogo os devorará”. Por fim, vem o comentário: "Deus declara que não tem prazer na morte, muito menos no sofrimento de alguém mesmo que seja ímpio. Perder a salvação, sofrer 'conforme as suas obras' e receber a morte e o esquecimento eterno é a maior punição que Deus aplicará a alguém", analisa.
A assessoria de imprensa do Google, mantenedora do Orkut, informou que só poderá divulgar informações sobre membros do site mediante solicitação judicial.
>> FOTOGALERIA: Massacre em Realengo deixa o Brasil chocado
Psicopata mata 12 estudantes em colégio municipal
Manhã de 7 de abril de 2011. São 8h20 de mais um dia que parecia tranquilo na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste. Mas o psicopata que bate à porta da sala 4 do segundo andar está prestes a mudar a rotina de estudantes e professores, que festejam os 40 anos do colégio. Wellington Menezes de Oliveira, um ex-aluno de 24 anos, entra dizendo que vai dar palestra. Coloca a bolsa em cima da mesa da professora, saca dois revólveres e dá início a um massacre em escola sem precedentes na História do Brasil. Nos minutos seguintes, a atrocidade deixa 12 adolescentes mortos e 12 feridos.

Na escola, a situação é de caos. Enquanto crianças correm — algumas se arrastam, feridas —, moradores chegam para prestar socorro. PMs vasculham o prédio, pois havia a informação da presença de outro atirador. São mais cinco minutos de pânico e apreensão. Em seguida, começa o desespero e o horror das famílias.
A notícia se alastra pelo bairro. Parentes correm para a escola em busca de notícias. O motorista de uma Kombi para em solidariedade. Ele parte rumo ao Hospital Albert Schweitzer, no mesmo bairro, com seis crianças na caçamba, quase todas com tiros na cabeça ou tórax.

A carta encontrada dentro da bolsa do assassino tenta explicar o inexplicável. Fala em pureza, mostra uma incrível raiva das mulheres — dez dos 12 mortos — e pede para ser enrolado num lençol branco que levou para o prédio do massacre. O menino que não falava com ninguém deixou seu recado marcado com sangue de inocentes estudantes de Realengo.

Suposto perfil de Wellington tem fotos de cemitérios, corpo ensanguentado e passagens bíblicas | Foto: Reprodução
No espaço destinado à descrição do proprietário do perfil, em vez de informações pessoais, há uma passagem bíblica: "Ora, para aquele que está na companhia dos vivos há esperança; porque melhor é o cão vivo do que o leão morto. Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma; não têm jamais recompensa, mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento. O seu amor, o seu ódio e a sua inveja já pereceram; já não têm parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol. Vai, come com alegria o teu pão, e bebe com bom coração o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras. Em todo o tempo sejam alvas as tuas vestes, e nunca falte óleo sobre a tua cabeça. Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de vida da tua vaidade, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade. Porque esta é a tua porção nesta vida, e do teu trabalho, que tu fazes debaixo do sol. Tudo o que te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, pois na sepultura, para onde vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma".
Número de seguidores da comunidade cresce a cada minuto | Foto: Reprodução
Na rede social, o perfil atribuído a Wellington aparece como proprietário da comunidade "Entendendo a Bíblia Sagrada". Nela, ele dá interpratações sobre passagens bíblicas com temáticas como inferno, morte e ressurreição, alma e espírito. Há, ainda, um tópico chamado "Jesus não falou com os mortos".No fórum da comunidade, o autor demonstra grande conhecimento do texto bíblico, citando diversas passagens e suas interpretações pessoais. Por volta das 15 horas, a comunidade já havia passado dos mil membros.
Em uma das postagens, feita no dia 26 de março, ele cita um Salmo que diz que "os malfeitores serão exterminados". Em outra, com a mesma data, ele traz outro Salmo que diz: “A tua mão alcançará todos os teus inimigos, a tua destra alcançará todos os que te odeiam. Tu os farás qual fornalha ardente quando vieres; o Senhor os consumirá na sua indignação, e o fogo os devorará”. Por fim, vem o comentário: "Deus declara que não tem prazer na morte, muito menos no sofrimento de alguém mesmo que seja ímpio. Perder a salvação, sofrer 'conforme as suas obras' e receber a morte e o esquecimento eterno é a maior punição que Deus aplicará a alguém", analisa.
A assessoria de imprensa do Google, mantenedora do Orkut, informou que só poderá divulgar informações sobre membros do site mediante solicitação judicial.
>> FOTOGALERIA: Massacre em Realengo deixa o Brasil chocado
Psicopata mata 12 estudantes em colégio municipal
Manhã de 7 de abril de 2011. São 8h20 de mais um dia que parecia tranquilo na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste. Mas o psicopata que bate à porta da sala 4 do segundo andar está prestes a mudar a rotina de estudantes e professores, que festejam os 40 anos do colégio. Wellington Menezes de Oliveira, um ex-aluno de 24 anos, entra dizendo que vai dar palestra. Coloca a bolsa em cima da mesa da professora, saca dois revólveres e dá início a um massacre em escola sem precedentes na História do Brasil. Nos minutos seguintes, a atrocidade deixa 12 adolescentes mortos e 12 feridos.

Wellington morava numa casa na Rua do Cacau, a cerca de 300 metros da escola em que cometeu o massacre | Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Transtornado, o assassino atacou alunos de duas turmas do 8º ano (1.801 e 1.802), antiga 7ª série. As cenas de terror só terminam com a chegada de três policiais militares. No momento em que remuniciava dois revólveres pela terceira vez, o assassino é surpreendido por um sargento antes de chegar ao terceiro andar da escola. O tiro de fuzil na barriga obriga Wellington a parar. No fim da subida, ele pega uma de suas armas e atira contra a própria cabeça.Na escola, a situação é de caos. Enquanto crianças correm — algumas se arrastam, feridas —, moradores chegam para prestar socorro. PMs vasculham o prédio, pois havia a informação da presença de outro atirador. São mais cinco minutos de pânico e apreensão. Em seguida, começa o desespero e o horror das famílias.
A notícia se alastra pelo bairro. Parentes correm para a escola em busca de notícias. O motorista de uma Kombi para em solidariedade. Ele parte rumo ao Hospital Albert Schweitzer, no mesmo bairro, com seis crianças na caçamba, quase todas com tiros na cabeça ou tórax.

Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Wellington, que arrasou com a vida de tantas famílias, era solitário. Segundo parentes, jamais teve amigos e passava os dias na Internet ou lendo livros sobre religião. Naquela mesma escola, entre 1999 e 2002, período em que lá estudou, foi alvo de ‘brincadeiras’ humilhantes de colegas, que chegaram a jogá-lo na lata de lixo do pátio.A carta encontrada dentro da bolsa do assassino tenta explicar o inexplicável. Fala em pureza, mostra uma incrível raiva das mulheres — dez dos 12 mortos — e pede para ser enrolado num lençol branco que levou para o prédio do massacre. O menino que não falava com ninguém deixou seu recado marcado com sangue de inocentes estudantes de Realengo.