quinta-feira, 7 de abril de 2011

Massacre em Realengo: Famílias de quatro vítimas fatais decidem doar orgãos


Rio - Inconsoláveis, as famílias do quatro crianças assasinadas no massacre da escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste do Rio, na manhã desta quinta-feira, decidiram doar os órgãos dos entes queridos.

"Isso vai amenizar um pouco a minha dor, saber que os olhinhos da minha netinha vai ajudar a quem precisa", declarou a ambulante Nilda Candelária da Cruz, 63 anos.

A idosa estava inconsolável no Instituto Médico Legal (IML), onde foi reconhecer o corpo de Karine Lorraine, de 14 anos, aluna do 8º ano, a quem criou. "Por que, meu Deus? Minha netinha saiou  de casa para estudar e acabou num saco preto. Quero minha neta de volta", gritava, amparada por amigos. Ela ficou sabendo da morte da neta por uma coleguinha da menina.

A menina fazia atletismo na escola de formação de praças da Polícia Militar em Sulacap e estava empolgada em seguir carreira no esporte. "Ela dizia que tinha que tirar notas boas para continuar praticando esportes", disse a avó.

Foram doados, também, o tecido ósseo e córneas de Larissa dos Santos Atanázio; Bianca Rocha Tavares; e Luiza Paula da Silveira Machado. O tecido ósseo dos doadores não puderam ser aproveitados porque passou o período de validade para retirada. Já as córneass serão aproveitadas.

A mãe da menina Géssica Guedes Pereira, Maria Sueli Guedes Pereira, contou que na véspera da tragédia dormiu ao lado da filha por pedido da menina. "Ontem, a Michele me pediu para dormir no quarto delas e deitei ao lado da Géssica", relatou. A mãe disse, ainda, que na manhã desta quinta-feira, Géssica cumpriu a sua rotina de sair e acordar sozinha para ir à escola. "Ela disse: 'mãe tô indo', foi estudar e acontece isso", disse a mãe.

O tio da menina, Rosivaldo Pereira, 30 anos, criticou a falta de segurança da escola. "Devia ter guardas municipais com armas não letais para proteger as crianças", declarou.

A tia, Luciana Lopes, que tem um filho na mesma escola, disse que os pais já haviam reclamado com a direção quando garotos de uma comunidade próxima foram à escola fazer bagunça, mas nada foi feito. Uma coleguinha da menina contou aos pais dela que o assassino atirou nas meninas mais bonitas. "Ele ia escolhendo e atirando", teria relatado.

A tia e madrinha da pequena Mariana Rocha de Souza, de 12 anos, contou que a menina era muito vaidosa e queria seguir a carreira de modelo. Foi o irmão dela, que estudava na mesma escola, que contou o que aconteceu. Ao ouvir os tiros a professora mandou todos deitarem no chão e, quando os disparos cessaram, liberou a turma. O menino foi correndo para casa, procurando a irmã, mas não a encontrou.

Ao contrário do tio da menina Géssica, o pai de Milena dos Santos Nascimento, Valdir Nascimento, disse que o ataque não foi causado por falta de segurança. "Foi atitude de um idiota. Não é problema de Segurança Pública. Quem fez isso lá (em Realengo), poderia ter feito em qualquer lugar", disse.

Valdir dise que pretende tirar os outros dois filhos da escola onde aconteceu o massacre. O pai de  Laryssa Silva Martins, 13 anos, viveu um verdadeiro pesadelo. Clóvis martins, de 55 anos, contou que uma amiga da filha ligou do celular dela para ele avisando que a menina tinha sido baleada. Ao chegar á escola, ele encontrou a filha caída, baleada. Ela ainda foi levada para o hospital Albert Schwetzer, mas não resistiu. Desesperado ao reconhecer o corpo da filha no Instituto Médico Legal, ele era amparado por familiares.

"Meu anjo de candura, minha filha foi embora", gritava.

Durante toda a tarde o movimento foi intenso no IML, em São Crisóvão, Zona Norte do Rio. A todo momento rabecões chegavam trazendo corpos e vans cedidas pelo governo do estado para levar familiares das vítimas chegavam ao local.

O presidente da CPI das Armas e ex-chefe de Polícia Civil, Zaqueu Teixeira, disse que em 18 anos de vida policial, nunca viu algo parecido. "Estou estarrecido. O que vi no local foi um cenário horrível. Pelo que vi, as crianças ficaram acuadas, amontoadas em um canto pelo assassino e não tiveram chances de escapar", relatou, acrescentando que os tiros foram de cima para baixo, a maiopria na bcabeça das vítiams.

Zaqueu disse que a CPI vai acompanhar de perto as investigações. "Queremos saber o caminho percorrido por essas armas até chegar aás mãos do assasino", revelou.