domingo, 10 de abril de 2011

Presos por terem vendido arma a Wellington são transferidos para o presídio


Rio - Izaías de Souza, vigia de 48 anos, e Charleston Souza de Lucena, chaveiro de 39 anos, acusados de terem vendido o revólver calibre 32 ao atirador Wellington Menezes de Oliveira, foram transferidos, na tarde deste sábado, para o presídio Ary Franco, em Água Santa, Zona Norte do Rio. A Polícia Civil fez uma operação sigilosa para prender os suspeitos e a Justiça decretou prisão preventiva da dupla.

Antes da transferência, os acusados passaram por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), local onde o corpo do atirador Wellington ainda aguarda reconhecimento para ser enterrado.
Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Izaias e Charleston são apresentados pela DH | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Após a transferência, o delegado e diretor da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio, Felipe Ettore, afirmou não ter mais nada a declarar sobre o caso neste sábado.

"Eu já falei tudo que tenho que falar. Tenho que dormir um pouquinho. Acho que acordo só segunda-feira", disse o delegado ao entrar em seu carro.
Apesar de ter negado estar envolvido no crime assim que foi preso, Izaías acabou admitindo participação quando chegou à DH. "Se soubesse que era para fazer isso, não tinha participado, porque eu também tenho filhos, que estudam inclusive numa escola em frente onde Wellington morava", declarou Izaías, sobre ter vendido a arma, durante sua apresentação.
"Agora infelizmente vou ter que pagar por este ato. Espero que a Justiça faça o que tem que fazer, que ela seja cumprida", afirmou Charleston à imprensa.
Os dois foram presos por agentes do Serviço Reservado (P-2) do 21º BPM (São João de Meriti), em Sepetiba. A arma teria sido adquirida por R$ 260 de um terceiro homem, que ainda não foi identificado, e cada um dos acusados ganhou R$ 30 pela intermediação.

Izaías, encontrado pela equipe da Coordenadoria de Inteligência da PM e pelo 3º Comando de Policiamento de Área (CPA), tem três passagens pela polícia: em 1990, por uso do documento falso; 2006 por ameaça e, no ano passado, por porte de droga para uso próprio.
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Bombeiros que ajudaram as vítimas do massacre | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Charleston contou que prestou serviço para Wellington, que lhe perguntou sobre venda de arma. Ele, então, indicou o segurança, que já foi investigado por envolvimento com milícias.
Psicopata mata 12 estudantes em colégio municipal

Manhã de 7 de abril de 2011. São 8h20 de mais um dia que parecia tranquilo na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste. Mas o psicopata que bate à porta da sala 4 do segundo andar está prestes a mudar a rotina de estudantes e professores, que festejam os 40 anos do colégio. Wellington Menezes de Oliveira, um ex-aluno de 24 anos, entra dizendo que vai dar palestra. Coloca a bolsa em cima da mesa da professora, saca dois revólveres e dá início a um massacre em escola sem precedentes na História do Brasil. Nos minutos seguintes, a atrocidade deixa 12 adolescentes mortos e 12 feridos.

Transtornado, o assassino atacou alunos de duas turmas do 8º ano (1.801 e 1.802), antiga 7ª série. As cenas de terror só terminam com a chegada de três policiais militares. No momento em que remuniciava dois revólveres pela terceira vez, o assassino é surpreendido por um sargento antes de chegar ao terceiro andar da escola. O tiro de fuzil na barriga obriga Wellington a parar. No fim da subida, ele pega uma de suas armas e atira contra a própria cabeça.

Na escola, a situação é de caos. Enquanto crianças correm — algumas se arrastam, feridas —, moradores chegam para prestar socorro. PMs vasculham o prédio, pois havia a informação da presença de outro atirador. São mais cinco minutos de pânico e apreensão. Em seguida, começa o desespero e o horror das famílias.

A notícia se alastra pelo bairro. Parentes correm para a escola em busca de notícias. O motorista de uma Kombi para em solidariedade. Ele parte rumo ao Hospital Albert Schweitzer, no mesmo bairro, com seis crianças na caçamba, quase todas com tiros na cabeça ou tórax.
>> FOTOGALERIA: Massacre em Realengo deixa o Brasil chocado
Wellington, que arrasou com a vida de tantas famílias, era solitário. Segundo parentes, jamais teve amigos e passava os dias na Internet ou lendo livros sobre religião. Naquela mesma escola, entre 1999 e 2002, período em que lá estudou, foi alvo de ‘brincadeiras’ humilhantes de colegas, que chegaram a jogá-lo na lata de lixo do pátio.

A carta encontrada dentro da bolsa do assassino tenta explicar o inexplicável. Fala em pureza, mostra uma incrível raiva das mulheres — dez dos 12 mortos — e pede para ser enrolado num lençol branco que levou para o prédio do massacre. O menino que não falava com ninguém deixou seu recado marcado com sangue de inocentes estudantes de Realengo.