Rio - Izaías de Souza, vigia de 48 anos, e Charleston Souza de Lucena, chaveiro de 39 anos, acusados de terem vendido o revólver calibre 32 ao atirador Wellington Menezes de Oliveira, foram transferidos, na tarde deste sábado, para o presídio Ary Franco, em Água Santa, Zona Norte do Rio. A Polícia Civil fez uma operação sigilosa para prender os suspeitos e a Justiça decretou prisão preventiva da dupla.
Antes da transferência, os acusados passaram por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), local onde o corpo do atirador Wellington ainda aguarda reconhecimento para ser enterrado.

"Eu já falei tudo que tenho que falar. Tenho que dormir um pouquinho. Acho que acordo só segunda-feira", disse o delegado ao entrar em seu carro.
Apesar de ter negado estar envolvido no crime assim que foi preso, Izaías acabou admitindo participação quando chegou à DH. "Se soubesse que era para fazer isso, não tinha participado, porque eu também tenho filhos, que estudam inclusive numa escola em frente onde Wellington morava", declarou Izaías, sobre ter vendido a arma, durante sua apresentação.
"Agora infelizmente vou ter que pagar por este ato. Espero que a Justiça faça o que tem que fazer, que ela seja cumprida", afirmou Charleston à imprensa.
Os dois foram presos por agentes do Serviço Reservado (P-2) do 21º BPM (São João de Meriti), em Sepetiba. A arma teria sido adquirida por R$ 260 de um terceiro homem, que ainda não foi identificado, e cada um dos acusados ganhou R$ 30 pela intermediação.
Izaías, encontrado pela equipe da Coordenadoria de Inteligência da PM e pelo 3º Comando de Policiamento de Área (CPA), tem três passagens pela polícia: em 1990, por uso do documento falso; 2006 por ameaça e, no ano passado, por porte de droga para uso próprio.

Psicopata mata 12 estudantes em colégio municipal
Manhã de 7 de abril de 2011. São 8h20 de mais um dia que parecia tranquilo na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste. Mas o psicopata que bate à porta da sala 4 do segundo andar está prestes a mudar a rotina de estudantes e professores, que festejam os 40 anos do colégio. Wellington Menezes de Oliveira, um ex-aluno de 24 anos, entra dizendo que vai dar palestra. Coloca a bolsa em cima da mesa da professora, saca dois revólveres e dá início a um massacre em escola sem precedentes na História do Brasil. Nos minutos seguintes, a atrocidade deixa 12 adolescentes mortos e 12 feridos.
Transtornado, o assassino atacou alunos de duas turmas do 8º ano (1.801 e 1.802), antiga 7ª série. As cenas de terror só terminam com a chegada de três policiais militares. No momento em que remuniciava dois revólveres pela terceira vez, o assassino é surpreendido por um sargento antes de chegar ao terceiro andar da escola. O tiro de fuzil na barriga obriga Wellington a parar. No fim da subida, ele pega uma de suas armas e atira contra a própria cabeça.
Na escola, a situação é de caos. Enquanto crianças correm — algumas se arrastam, feridas —, moradores chegam para prestar socorro. PMs vasculham o prédio, pois havia a informação da presença de outro atirador. São mais cinco minutos de pânico e apreensão. Em seguida, começa o desespero e o horror das famílias.
A notícia se alastra pelo bairro. Parentes correm para a escola em busca de notícias. O motorista de uma Kombi para em solidariedade. Ele parte rumo ao Hospital Albert Schweitzer, no mesmo bairro, com seis crianças na caçamba, quase todas com tiros na cabeça ou tórax.
>> FOTOGALERIA: Massacre em Realengo deixa o Brasil chocado
Wellington, que arrasou com a vida de tantas famílias, era solitário. Segundo parentes, jamais teve amigos e passava os dias na Internet ou lendo livros sobre religião. Naquela mesma escola, entre 1999 e 2002, período em que lá estudou, foi alvo de ‘brincadeiras’ humilhantes de colegas, que chegaram a jogá-lo na lata de lixo do pátio.
A carta encontrada dentro da bolsa do assassino tenta explicar o inexplicável. Fala em pureza, mostra uma incrível raiva das mulheres — dez dos 12 mortos — e pede para ser enrolado num lençol branco que levou para o prédio do massacre. O menino que não falava com ninguém deixou seu recado marcado com sangue de inocentes estudantes de Realengo.
Antes da transferência, os acusados passaram por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), local onde o corpo do atirador Wellington ainda aguarda reconhecimento para ser enterrado.

Izaias e Charleston são apresentados pela DH | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Após a transferência, o delegado e diretor da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio, Felipe Ettore, afirmou não ter mais nada a declarar sobre o caso neste sábado."Eu já falei tudo que tenho que falar. Tenho que dormir um pouquinho. Acho que acordo só segunda-feira", disse o delegado ao entrar em seu carro.
Apesar de ter negado estar envolvido no crime assim que foi preso, Izaías acabou admitindo participação quando chegou à DH. "Se soubesse que era para fazer isso, não tinha participado, porque eu também tenho filhos, que estudam inclusive numa escola em frente onde Wellington morava", declarou Izaías, sobre ter vendido a arma, durante sua apresentação.
"Agora infelizmente vou ter que pagar por este ato. Espero que a Justiça faça o que tem que fazer, que ela seja cumprida", afirmou Charleston à imprensa.
Os dois foram presos por agentes do Serviço Reservado (P-2) do 21º BPM (São João de Meriti), em Sepetiba. A arma teria sido adquirida por R$ 260 de um terceiro homem, que ainda não foi identificado, e cada um dos acusados ganhou R$ 30 pela intermediação.
Izaías, encontrado pela equipe da Coordenadoria de Inteligência da PM e pelo 3º Comando de Policiamento de Área (CPA), tem três passagens pela polícia: em 1990, por uso do documento falso; 2006 por ameaça e, no ano passado, por porte de droga para uso próprio.

Bombeiros que ajudaram as vítimas do massacre | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Charleston contou que prestou serviço para Wellington, que lhe perguntou sobre venda de arma. Ele, então, indicou o segurança, que já foi investigado por envolvimento com milícias.Psicopata mata 12 estudantes em colégio municipal
Manhã de 7 de abril de 2011. São 8h20 de mais um dia que parecia tranquilo na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste. Mas o psicopata que bate à porta da sala 4 do segundo andar está prestes a mudar a rotina de estudantes e professores, que festejam os 40 anos do colégio. Wellington Menezes de Oliveira, um ex-aluno de 24 anos, entra dizendo que vai dar palestra. Coloca a bolsa em cima da mesa da professora, saca dois revólveres e dá início a um massacre em escola sem precedentes na História do Brasil. Nos minutos seguintes, a atrocidade deixa 12 adolescentes mortos e 12 feridos.
Transtornado, o assassino atacou alunos de duas turmas do 8º ano (1.801 e 1.802), antiga 7ª série. As cenas de terror só terminam com a chegada de três policiais militares. No momento em que remuniciava dois revólveres pela terceira vez, o assassino é surpreendido por um sargento antes de chegar ao terceiro andar da escola. O tiro de fuzil na barriga obriga Wellington a parar. No fim da subida, ele pega uma de suas armas e atira contra a própria cabeça.
Na escola, a situação é de caos. Enquanto crianças correm — algumas se arrastam, feridas —, moradores chegam para prestar socorro. PMs vasculham o prédio, pois havia a informação da presença de outro atirador. São mais cinco minutos de pânico e apreensão. Em seguida, começa o desespero e o horror das famílias.
A notícia se alastra pelo bairro. Parentes correm para a escola em busca de notícias. O motorista de uma Kombi para em solidariedade. Ele parte rumo ao Hospital Albert Schweitzer, no mesmo bairro, com seis crianças na caçamba, quase todas com tiros na cabeça ou tórax.
>> FOTOGALERIA: Massacre em Realengo deixa o Brasil chocado
Wellington, que arrasou com a vida de tantas famílias, era solitário. Segundo parentes, jamais teve amigos e passava os dias na Internet ou lendo livros sobre religião. Naquela mesma escola, entre 1999 e 2002, período em que lá estudou, foi alvo de ‘brincadeiras’ humilhantes de colegas, que chegaram a jogá-lo na lata de lixo do pátio.
A carta encontrada dentro da bolsa do assassino tenta explicar o inexplicável. Fala em pureza, mostra uma incrível raiva das mulheres — dez dos 12 mortos — e pede para ser enrolado num lençol branco que levou para o prédio do massacre. O menino que não falava com ninguém deixou seu recado marcado com sangue de inocentes estudantes de Realengo.