Policiais militares e federais retiram famílias que ocupavam 143 imóveis em condomínio na Zona Oeste. Não houve confusão
Rio - Os 143 apartamentos invadidos no Condomínio Ferrara, na Estrada dos Caboclos, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, foram desocupados ontem sem tumultos. Os protestos limitaram-se a gritos de ‘queremos casa’ e panelaços. Os imóveis fazem parte do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, do governo federal, e foram construídos para abrigar famílias que vivem em áreas de risco.
De acordo com o secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar, as unidades ocupadas irregularmente eram controladas pela principal milícia que atua na região.

Ação vai continuar
A operação para desocupar os apartamentos começou no início da manhã. Dezenas de policiais militares e federais acompanharam o trabalho dos oficiais de Justiça, que percorreram cada um dos 262 imóveis do Condomínio Ferrara. Eles verificaram escrituras e documentos de identidade antes de retirar os invasores.
>>> FOTOGALERIA: Veja imagens da desocupação de condomínio
A desocupação de imóveis invadidos continua hoje. A ação de reintegração de posse também inclui apartamentos nos condomínios Treviso e Terni, vizinhos ao Ferrara. De acordo com Bittar, os três conjuntos são os únicos da cidade que têm unidades ocupadas irregularmente. Ele garantiu que a polícia ficará no local para impedir uma represália de milicianos. “Vamos manter a estrutura de segurança permanente até a plena ocupação de seus legítimos moradores”, declarou.
À tarde, a Defensoria Pública da União tentou suspender a ação de reintegração de posse em favor da Caixa Econômica Federal. Mas a desembargadora Vera Lúcia Lima da Silva, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), manteve a decisão de desocupar os apartamentos invadidos.
Tomada da área foi organizada em mutirção
Grande parte das famílias que invadiram 143 imóveis no condomínio morava na Favela do Mangueiral, também em Campo Grande. A ocupação dos apartamentos, que têm dois quartos e 42 metros quadrados, aconteceu de forma organizada.
“Tudo mundo veio para cá em mutirão. Estava desempregada, com filho para criar, e vim também. Agora, não tenho onde morar e nem lugar para deixar minhas coisas”, lamentou Sílvia Teles, 30 anos.
Mãe de quatro filhos, Érica de Almeida Ferreira, 27, conta que largou o emprego de diarista para evitar que outras pessoas invadissem o apartamento que ocupou. Agora, não tem dinheiro para encontrar um novo lar. “Estava grávida e ia doar meu neném, mas o pessoal do Mangueiral me falou da invasão. As casas estavam abandonadas, eu invadi e entrei”, contou ela.
As famílias que foram retiradas do condomínio tiveram a opção de se inscrever no programa Aluguel Social. Elas receberão R$ 400 por mês até serem reassentadas em imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida. Os invasores também puderam ir para abrigos da prefeitura.
Cartas denunciam ameaças de pessoas ligadas a paramilitares
A exemplo do que aconteceu durante a ocupação dos complexo do Alemão e da Penha, em novembro do ano passado, moradores entregaram cartas aos jornalistas para relatar a rotina de medo e opressão. Preocupados com uma possível retaliação do grupo paramilitar que atuava no conjunto, os relatos foram anônimos.

Em outro, um morador conta que o grupo paramilitar utiliza carros de modelos Honda Civic e Cross Fox para fazer rondas no condomínio. Na denúncia, ela afirma que milicianos têm casas no local.
Outro morador entregou carta afirmando que os moradores legalizados estão com medo dos invasores, que teriam prometido vingança. “Eles estão dizendo que somos culpados pela expulsão deles do condomínio”, conta.
Reintegração de posse se transforma em festa de moradores
A ação de reintegração de posse foi motivo de comemoração para outras 143 famílias. Elas esperavam a desocupação dos imóveis para tomar posse dos apartamentos que lhe pertencem de direito. Apenas no Morro São Sebastião, em Realengo, 74 famílias que moram em áreas de risco serão reassentadas no condomínio.
A aposentada M., 60 anos, fez questão de ver de perto o processo de desocupação ao longo do dia de ontem. Com as chaves e toda a documentação oficial de um apartamento, ela tinha a esperança de finalmente poder entrar em sua casa.
Desde fevereiro, por duas vezes, ela encontrou famílias que diziam ter comprado o imóvel. No ano passado, ela teve a casa em que morava condenada numa favela da Zona Norte do Rio.
“Me sinto irritada, estressada. Levei tempo para conseguir o documento e agora não consigo entrar para morar no meu apartamento. Me considero humilhada”, protestou ela, mostrando a declaração de residência emitida pela Secretaria Municipal de Habitação e a escritura do imóvel em seu nome.
De acordo com o secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar, as unidades ocupadas irregularmente eram controladas pela principal milícia que atua na região.

Dezenas de policiais participaram da desocupação em Campo Grande, na Zona Oeste | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
“É absolutamente clara e ostensiva a presença de milicianos no condomínio. Não só aqui, mas também em conjuntos de Cosmos e Realengo. Eles atuam estabelecendo taxas sobre o gás, água e energia elétrica. Há um clima de ameaça e terror. Derrotamos o crime organizado em outras regiões da cidade e vamos vencer aqui também”, afirmou Bittar.Ação vai continuar
A operação para desocupar os apartamentos começou no início da manhã. Dezenas de policiais militares e federais acompanharam o trabalho dos oficiais de Justiça, que percorreram cada um dos 262 imóveis do Condomínio Ferrara. Eles verificaram escrituras e documentos de identidade antes de retirar os invasores.
>>> FOTOGALERIA: Veja imagens da desocupação de condomínio
A desocupação de imóveis invadidos continua hoje. A ação de reintegração de posse também inclui apartamentos nos condomínios Treviso e Terni, vizinhos ao Ferrara. De acordo com Bittar, os três conjuntos são os únicos da cidade que têm unidades ocupadas irregularmente. Ele garantiu que a polícia ficará no local para impedir uma represália de milicianos. “Vamos manter a estrutura de segurança permanente até a plena ocupação de seus legítimos moradores”, declarou.
À tarde, a Defensoria Pública da União tentou suspender a ação de reintegração de posse em favor da Caixa Econômica Federal. Mas a desembargadora Vera Lúcia Lima da Silva, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), manteve a decisão de desocupar os apartamentos invadidos.
Tomada da área foi organizada em mutirção
Grande parte das famílias que invadiram 143 imóveis no condomínio morava na Favela do Mangueiral, também em Campo Grande. A ocupação dos apartamentos, que têm dois quartos e 42 metros quadrados, aconteceu de forma organizada.
“Tudo mundo veio para cá em mutirão. Estava desempregada, com filho para criar, e vim também. Agora, não tenho onde morar e nem lugar para deixar minhas coisas”, lamentou Sílvia Teles, 30 anos.
Mãe de quatro filhos, Érica de Almeida Ferreira, 27, conta que largou o emprego de diarista para evitar que outras pessoas invadissem o apartamento que ocupou. Agora, não tem dinheiro para encontrar um novo lar. “Estava grávida e ia doar meu neném, mas o pessoal do Mangueiral me falou da invasão. As casas estavam abandonadas, eu invadi e entrei”, contou ela.
As famílias que foram retiradas do condomínio tiveram a opção de se inscrever no programa Aluguel Social. Elas receberão R$ 400 por mês até serem reassentadas em imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida. Os invasores também puderam ir para abrigos da prefeitura.
Cartas denunciam ameaças de pessoas ligadas a paramilitares
A exemplo do que aconteceu durante a ocupação dos complexo do Alemão e da Penha, em novembro do ano passado, moradores entregaram cartas aos jornalistas para relatar a rotina de medo e opressão. Preocupados com uma possível retaliação do grupo paramilitar que atuava no conjunto, os relatos foram anônimos.

Bilhete entregue por um invasor a jornalistas ontem de manhã | Foto: Reprodução
“Os moradores estão com muito medo, e ‘estamos’ ‘temos’ muita ‘ameasa’. A reunião dos invasores volta quando a polícia sair, e nós não podemos sair nem no portão senão vamos ser ‘ameasado’ de morte. A chefona chamada Elvira, junto com o Daniel e o Alex, estão nos ‘ameasando”, diz um dos relatos.Em outro, um morador conta que o grupo paramilitar utiliza carros de modelos Honda Civic e Cross Fox para fazer rondas no condomínio. Na denúncia, ela afirma que milicianos têm casas no local.
Outro morador entregou carta afirmando que os moradores legalizados estão com medo dos invasores, que teriam prometido vingança. “Eles estão dizendo que somos culpados pela expulsão deles do condomínio”, conta.
Reintegração de posse se transforma em festa de moradores
A ação de reintegração de posse foi motivo de comemoração para outras 143 famílias. Elas esperavam a desocupação dos imóveis para tomar posse dos apartamentos que lhe pertencem de direito. Apenas no Morro São Sebastião, em Realengo, 74 famílias que moram em áreas de risco serão reassentadas no condomínio.
A aposentada M., 60 anos, fez questão de ver de perto o processo de desocupação ao longo do dia de ontem. Com as chaves e toda a documentação oficial de um apartamento, ela tinha a esperança de finalmente poder entrar em sua casa.
Desde fevereiro, por duas vezes, ela encontrou famílias que diziam ter comprado o imóvel. No ano passado, ela teve a casa em que morava condenada numa favela da Zona Norte do Rio.
“Me sinto irritada, estressada. Levei tempo para conseguir o documento e agora não consigo entrar para morar no meu apartamento. Me considero humilhada”, protestou ela, mostrando a declaração de residência emitida pela Secretaria Municipal de Habitação e a escritura do imóvel em seu nome.
Reportagem de Diogo Dias e Marcello Victor