Perseguição com tiroteio na Vila da Penha deixou mais uma vítima de bala perdida. Família acredita que disparo tenha partido de fuzil de policial militar
POR MARIA INEZ MAGALHÃES
Rio - Após anos funcionando em Vigário Geral e com fila na porta antes mesmo de abrir, a barbearia de Marsérgio Mendes Toledo, 36 anos, o Marcelo, a mais famosa da favela, está fechada desde sábado. Vítima de bala perdida que o atingiu durante uma perseguição e tiroteio entre bandidos e PMs do 16º BPM (Olaria), na Vila da Penha, ele morreu sexta-feira.
O barbeiro ficou no meio do fogo cruzado ao descer do ônibus indo para a casa da sogra. No momento em que foi ferido, ele falava com a mulher pelo celular. Ela ainda chegou ao local a tempo de ouvir do marido um pedido de desculpas por ter ido ao seu encontro de ônibus e não de táxi, como havia pedido.

MP denuncia PMs por mortes
O Ministério Público do Estado denunciou quatro policiais militares pelas mortes de Deividson Evangelista Pacheco e Paulo Cardoso Batalha. As vítimas estavam em uma barbearia, na Favela Nova Holanda, em Bonsucesso, na tarde de 11 de junho do ano passado, quando os PMs, que faziam uma operação na favela, atiraram contra o estabelecimento.
Foram feridos também mais quatro clientes da barbearia e, de acordo com as investigações, todas as vítimas estavam desarmados no momento do crime.
O barbeiro ficou no meio do fogo cruzado ao descer do ônibus indo para a casa da sogra. No momento em que foi ferido, ele falava com a mulher pelo celular. Ela ainda chegou ao local a tempo de ouvir do marido um pedido de desculpas por ter ido ao seu encontro de ônibus e não de táxi, como havia pedido.

Pai de Marsérgio, a quem ensinou o ofício de barbeiro, Sebastião acredita que morte do filho ficará impune | Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia
O barbeiro levou um tiro nas nádegas que atravessou a virilha. Segundo a família, médicos do Hospital Getúlio Vargas, na Penha, onde ele foi atendido, disseram que o tiro foi de fuzil. Para a família, a bala partiu da arma de um dos PMs, já que apenas uma pistola foi apreendida com os criminosos. “Mas tudo que envolve polícia é complicado. Não acredito que o assassino será punido”, lamentou Sebastião Mendes Toledo, 76 anos, que ensinou a profissão ao filho. “Ele levou um tiro pelas costas, uma covardia. Ele não era bandido para morrer assim”, desabafou o pai. Quatro pessoas foram feridas.MP denuncia PMs por mortes
O Ministério Público do Estado denunciou quatro policiais militares pelas mortes de Deividson Evangelista Pacheco e Paulo Cardoso Batalha. As vítimas estavam em uma barbearia, na Favela Nova Holanda, em Bonsucesso, na tarde de 11 de junho do ano passado, quando os PMs, que faziam uma operação na favela, atiraram contra o estabelecimento.
Foram feridos também mais quatro clientes da barbearia e, de acordo com as investigações, todas as vítimas estavam desarmados no momento do crime.