Rio - O esforço de trabalhar durante todo o dia e correr para a escola com o sonho de um dia terminar o Ensino Médio foi brutalmente interrompido por um tiro na nuca disparado durante guerra entre traficantes rivais no Complexo da Maré, na noite de quarta-feira. O porteiro Josemilton Trindade da Silva, 43 anos, foi atingido dentro da sala de aula do Ciep Ministro Gustavo Capanema, na Vila dos Pinheiros, onde estudava. Confrontos deixaram mais dois mortos e quatro feridos.

O objetivo dos invasores seria tomar as bocas de fumo da Vila dos Pinheiros. O tiroteio entre quadrilhas começou por volta de 19h. Moradores tiveram que se abrigar, mas três pessoas foram atingidas por balas perdidas: Muller da Costa Lima, de 21 anos, na perna e braço direitos; Wellington de Oliveira, de 58, no ombro; e William Soares da Costa, de 23, na perna.
Dentro da escola, onde havia mais de 300 pessoas, todos se abrigaram no corredor. “Houve uma pausa nos tiros. Foi aí que o Josemilton deixou o corredor para pegar sua mochila e acabou baleado. Ele só queria terminar os estudos. Mesmo perto de se aposentar, tinha ‘vontade de saber’”, contou o colega de sala Rodrigo de Souza, de 30 anos.
Quando policiais chegaram, o porteiro foi removido dentro de um carro blindado da Polícia Militar para o Hospital Geral de Bonsucesso, mas já era tarde.
O cabo Márcio Antonio da Silva Guedes, do 22º BPM (Maré), levou um tiro na perna após ser surpreendido por traficantes que usaram uma Kombi para romper um dos bloqueios da PM na entrada da Vila do João. A Kombi seguiu para o Hospital de Bonsucesso na tentativa de socorrer os traficantes Leandro da Silva Martins, de 28 anos, do Morro do Timbau e J., de 17, da Vila dos Pinheiros. Nenhum dos dois resistiu.
Desejo de completar o Ensino Fundamental
Aluno dedicado e trabalhador de hábitos simples, Josemilton estava matriculado no Programa de Educação Juvenil (PEJ), onde cursava o 6º ano do Ensino Fundamental. Ele havia voltado a estudar a dois anos e sonhava.
“Só faltava três anos para completar o Ensino Fundamental, o grande sonho dele, que pretendia se tornar pastor um dia”, contou um amigo. Josemilton frequentava um templo a Assembleia de Deus.
O porteiro dividia seu tempo entre o emprego, a casa na Favela Baixo do Sapateiro e o culto na igreja. Há 25 anos, ele trabalhava no Edifício Santos Dumont, na Rua Santa Luzia, no Centro.
Paraibano de João Pessoa, Josemilton era o terceiro de uma família de oito irmãos que vieram para o Rio de Janeiro ainda crianças na companhia dos pais.
A morte trágica de Josemilton abalou a família. “Não há o que dizer. Fica apenas a saudade do meu irmão”, desabafou João Batista Trindade da Silva, de 38 anos.
Líderes da invasão são identificados
Policiais do 22º BPM (Maré) e da 21ª DP (Bonsucesso) identificaram pelo menos dois homens que teriam liderado a invasão de anteontem, que contou com um grupo de pelo menos 50 criminosos da facção Amigos dos Amigos (ADA). São eles Cristiano Santos Guedes, o Puma, chefão da Favela da Quitanda, e Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, gerente do tráfico no Morro da Pedreira, ambos em Costa Barros.
Com traficantes dos morros do Dezoito (Quintino), Macacos (Vila Isabel) e São Carlos (Estácio), eles teriam saído do Complexo do Caju para tentar tomar as bocas de fumo das vilas do João e Pinheiros, dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP).
Puma é apontado pela polícia como braço-direito de Edmilson Ferreira dos Santos, o Sassá, preso desde 2005 e que comandava as favelas da Maré.
Já Playboy é o último remanescente da quadrilha de Pedro Machado Lomba Neto, o Pedro Dom, um jovem de classe média que assaltava residências, até ser morto em 2005.

Corpo do porteiro foi enterrado no Cemitério do Caju |Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
No fim da tarde de ontem, enquanto cerca de 150 parentes e amigos despediam-se de Josemilton, no Cemitério São Francisco Xavier, uma coincidência infeliz: três tiros de pistolas foram disparados do Parque Alegria, no Caju, local de onde teria partido o bando que invadiu a Maré e deu início ao conflito.O objetivo dos invasores seria tomar as bocas de fumo da Vila dos Pinheiros. O tiroteio entre quadrilhas começou por volta de 19h. Moradores tiveram que se abrigar, mas três pessoas foram atingidas por balas perdidas: Muller da Costa Lima, de 21 anos, na perna e braço direitos; Wellington de Oliveira, de 58, no ombro; e William Soares da Costa, de 23, na perna.
Dentro da escola, onde havia mais de 300 pessoas, todos se abrigaram no corredor. “Houve uma pausa nos tiros. Foi aí que o Josemilton deixou o corredor para pegar sua mochila e acabou baleado. Ele só queria terminar os estudos. Mesmo perto de se aposentar, tinha ‘vontade de saber’”, contou o colega de sala Rodrigo de Souza, de 30 anos.
Quando policiais chegaram, o porteiro foi removido dentro de um carro blindado da Polícia Militar para o Hospital Geral de Bonsucesso, mas já era tarde.
O cabo Márcio Antonio da Silva Guedes, do 22º BPM (Maré), levou um tiro na perna após ser surpreendido por traficantes que usaram uma Kombi para romper um dos bloqueios da PM na entrada da Vila do João. A Kombi seguiu para o Hospital de Bonsucesso na tentativa de socorrer os traficantes Leandro da Silva Martins, de 28 anos, do Morro do Timbau e J., de 17, da Vila dos Pinheiros. Nenhum dos dois resistiu.
Desejo de completar o Ensino Fundamental
Aluno dedicado e trabalhador de hábitos simples, Josemilton estava matriculado no Programa de Educação Juvenil (PEJ), onde cursava o 6º ano do Ensino Fundamental. Ele havia voltado a estudar a dois anos e sonhava.
“Só faltava três anos para completar o Ensino Fundamental, o grande sonho dele, que pretendia se tornar pastor um dia”, contou um amigo. Josemilton frequentava um templo a Assembleia de Deus.
O porteiro dividia seu tempo entre o emprego, a casa na Favela Baixo do Sapateiro e o culto na igreja. Há 25 anos, ele trabalhava no Edifício Santos Dumont, na Rua Santa Luzia, no Centro.
Paraibano de João Pessoa, Josemilton era o terceiro de uma família de oito irmãos que vieram para o Rio de Janeiro ainda crianças na companhia dos pais.
A morte trágica de Josemilton abalou a família. “Não há o que dizer. Fica apenas a saudade do meu irmão”, desabafou João Batista Trindade da Silva, de 38 anos.
Líderes da invasão são identificados
Policiais do 22º BPM (Maré) e da 21ª DP (Bonsucesso) identificaram pelo menos dois homens que teriam liderado a invasão de anteontem, que contou com um grupo de pelo menos 50 criminosos da facção Amigos dos Amigos (ADA). São eles Cristiano Santos Guedes, o Puma, chefão da Favela da Quitanda, e Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, gerente do tráfico no Morro da Pedreira, ambos em Costa Barros.
Com traficantes dos morros do Dezoito (Quintino), Macacos (Vila Isabel) e São Carlos (Estácio), eles teriam saído do Complexo do Caju para tentar tomar as bocas de fumo das vilas do João e Pinheiros, dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP).
Puma é apontado pela polícia como braço-direito de Edmilson Ferreira dos Santos, o Sassá, preso desde 2005 e que comandava as favelas da Maré.
Já Playboy é o último remanescente da quadrilha de Pedro Machado Lomba Neto, o Pedro Dom, um jovem de classe média que assaltava residências, até ser morto em 2005.
Reportagem de Isabel Boechat, Leslie Leitão e Ricardo Albuquerque
