domingo, 21 de agosto de 2011

Balé clássico realiza sonhos na comunidade de Antares


Professor voluntário que já transformou em bailarino até ex-traficante é ‘Orgulho do Rio’

POR CLAUDIO VIEIRA
Rio - Wallace Santos, 21 anos, quer transformar Antares, conjunto de favelas em Santa Cruz, em uma “nova comunidade”, com mais autoestima e disciplina e menos violência e pobreza. Para isso, está formando geração de bailarinos clássicos num lugar onde ações do poder público passam ao largo. Por sua dedicação voluntária, recebe de O DIA, no ano em que o jornal comemora 60 anos, a 12ª medalha ‘Orgulho do Rio’.

Criado em Antares desde que nasceu, o hoje bailarino profissional ministra suas aulas no prédio da Fundação da Infância e Adolescência (FIA). Entre os alunos formados por ele, tem até ex-traficantes.

Com apoio de pais, professores e comunidade, o bailarino não conta com ajuda financeira de ONGs ou órgãos públicos. Para a apresentação anual dos pequenos bailarinas aluga um espaço e rateia o aluguel entre ele e os pais da criançada. Da mesma forma, é feita a compra de tecidos e equipamentos para as apresentações.

“É através da cultura que formaremos uma nova comunidade!”, prega o rapaz, convicto de que o sonho começou a virar realidade, pois não vai demorar para que seus alunos comecem a ensinar balé também.

“Desde cedo eles devem se comportar como futuros bailarinos do Theatro Municipal. Precisam estudar muito. Afinal, quem não seguir como bailarino será professor de dança e ensinará outras crianças em comunidades pobres”, planeja.
Curso tem fila e convites

Além das 150 meninas e dos 4 meninos inscritos no curso de balé clássico da FIA, em Antares, outras 130 jovens aguardam na fila, torcendo por desistências, já que todas as turmas estão cheias. E o sucesso também se reflete em convites para apresentações fora do estado e até do País, em festival da Alemanha.

“Fomos convidados a participar do Festival de Dança de Joinville (SC). Seria espetacular! Mas fizemos levantamento e concluímos que haveria um gasto de R$ 2 mil por criança. Seriam mais de R$ 80 mil entre passagens, estadia e alimentação de 40 alunas. Infelizmente, não há como conseguir esse dinheiro”, lamenta.
Atualmente, o balé é a única opção de atividade cultural que existe no bairro. “Como Antares fica distante, sem visibilidade, o poder público não quer saber dos nossos jovens”.