sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Charlinho e Jorginho do Charlinho sofrem ameaças

Prefeito Charlinho e vereador Jorginho seriam alvo de investida

Prefeito Charlinho e vereador Jorginho seriam alvo de investida
Anúncio de possível atentado coloca autoridades em pânico
Charlinho pediu providências ao governador, ao secretário de Segurança e à chefe da Polícia Civil
A informação publicada na coluna Informe do Dia, assinada pelo colunista Fernando Molica, no jornal O Dia, dando conta de que o prefeito de Itaguaí, Carlo Busatto Junior, e o vereador Jorge Luis da Silva Rocha seriam alvo de emboscadas perpetradas para assassiná-los, caiu como uma bomba em Itaguaí. O jornalista diz que a informação chegada através do serviço “Disque-Denúncia” alertava para o fato de que Charlinho seria alvo de atentado. Quanto ao vereador Jorginho, que assumirá a presidência da Câmara Municipal de Itaguaí em janeiro, o texto revela que o parlamentar seria morto na Estrada da Pedra, em Guaratiba, Zona Oeste do Rio.
Procurado pelo ATUAL, o vereador Jorginho confirmou que depois de tomar conhecimento da ameaça foi feito contato com o governador Sérgio Cabral e a chefe da Polícia Civil, delegada Marta Rocha. “O que eu soube foi o que você leu e que me falaram. Mas isso me preocupa, pois a cidade já tem um histórico de crimes políticos. Acho que a cidade não tem mais clima pra isso hoje”, disse o vereador, lembrando o assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo. “Não acredito que seja boato, pois temos exemplo da juíza de São Gonçalo. Acho que as autoridades devem investigar e tomar as providências”, disse.
O vereador Jorginho acentuou que está tomando precauções e mudando alguns hábitos. “Estou tocando a bola pra frente”, disse. Apesar do ocorrido e dos cuidados que passou a adotar, o parlamentar enfatiza que o episódio não vai atrapalhar seus planos futuros. “Eu só não vou me esconder da política, pois tomarei posse em janeiro na presidência da Câmara Municipal de Itaguaí”, sustenta.
Atual presidente da Câmara Municipal de Itaguaí, o vereador Vicente Rocha disse que não iria comentar sobre o assunto. Segundo ele, o caso deve ser tratado pelo serviço de inteligência da polícia.
Histórico de crimes
A denúncia do jornalista Fernando Molica reacende o clima de intranquilidade que rondou a cidade em ocasiões como a do assassinato do prefeito Abeilard Goulart de Souza, em 1991, e, mais recentemente, o atentado sofrido pelo ex-vereador Eliezer Lage Bento, em 2006. Na ocasião, como protesto contra o atentado sofrido pelo então colega, o presidente da câmara municipal, Vicente Rocha, decidiu fechar a casa legislativa com o objetivo de chamar a atenção do Governo do Estado, para que a segurança dos políticos fosse garantida. Situações como essas marcaram a história da cidade e fizeram com que durante muito tempo o município fosse associado à imagem de faroeste. Situação de semelhante inquietação viveu a vizinha Mangaratiba há cerca de dois anos, com a morte do vereador Célio Lopes, atingido com um tiro na testa em pleno Centro da cidade.
Alerj teve CPI sobre pistolagem
O estado de tensão que Itaguaí vivenciou, e que também afetou municípios como Magé, Caxias, Belford Roxo e São João de Meriti, chegou a tal ponto que despertou a atenção das comissões contra a Violência e Impunidade e a de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, que há cerca de dez anos chegaram a pedir apoio ao Ministério da Justiça e ao Ministério Público Federal nas investigações sobre crimes políticos sem solução na região. “A não investigação dos crimes é um convite a novas mortes”, alertava à época o deputado Carlos Minc.
O clima de tensão e medo que episódios do gênero ressuscitam faz com que alguns parlamentares tomem precauções como andar cercados de seguranças e até usarem carros blindados, o que, no entender do deputado Chico Alencar, enfraquece o papel do Estado. “Não contribui em nada o parlamentar andar armado ou com segurança. O argumento da força não pode estar acima da força do argumento”, disse ele, na ocasião.
Na época, a CPI sobre os crimes políticos pediu a investigação de casos como o assassinato do prefeito de Belford Roxo Jorge Júlio da Costa Santos, o Joca; e a identificação dos mandantes do assassinato do prefeito de Itaguaí, Abeilard Goulart de Souza.
Principais conclusões de uma CPI esclarecedora
“Mesmo em casos de crimes esclarecidos, os executores, ou parte deles, conseguem desaparecer (…) – e há quem admita se tratar de caso de queima de arquivo”
“O poder político determina uma perversa promiscuidade, fazendo com que muitos crimes nem sequer sejam investigados. Ou o são de forma superficial”
“Todos os cidadãos, vítimas de violência política, que se envolvam exigindo justiça são ameaçados, sofrem atentados e se veem diante de um processo de intimidação que torna a vida insuportável”
“Testemunhas mudam o depoimento repentinamente, servidores que são ameaçados ou mortos, são transferidos ou pedem transferência como medida de proteção”

Jornal Atual