Agentes do Grupo de Apoio a Promotores (GAP), policiais federais e civis começaram a cumprir 21 mandados expedidos pela Justiça desde as 6h em diversas favelas da cidade  e em outros municípios como Rio das Ostras, Carapebus e Conceição de Macabu. Onze dos 32 denunciados pelo GAECO já haviam sido presos ao longo da investigação. Durante a “Operação Colorado”, os policiais continuaram monitorando, em tempo real, por meio de ligações telefônicas, os acusados. Nesta terça-feira, foram presos Leandro Miranda Peçanha, Luciana de Souza Anchieta, Welington da Silva Souza, Douglas Barcelos da Silva (com que foi apreendido em revólver calibre 38), Elton Felismindo Nogueira, Tamara da Conceição Santos, Inolan Barbosa Velozo, Ana Paula da Silva, Abrãao dos Santos Reis e Deisi dos Santos Gomes Pio. 

Um ano de investigações

Segundo o MP, o bando chefiado por Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, conhecido como Piloto, montou na cidade uma ramificação de uma conhecida facção criminosa do Rio e controlava um grande esquema de fornecimento e de distribuição de drogas em favelas do município e da Capital. A quadrilha, de acordo com a denúncia, era dividida em núcleos de atuação, e também praticava crimes como roubos e homicídios. Nesta terça-feira, após um ano e dois meses de investigações da Delegacia da Polícia Federal de Macaé em conjunto com  GAECO, cerca de 60 policiais desencadearam a Operação.

Em Macaé, a quadrilha agia principalmente na comunidade do Lagomar, onde um menor que estaria envolvido com tráfico teria sido morto a mando de Jamildo Rocha, o Jota, um dos integrantes do grupo. Na ocasião,  Piloto, um dos traficantes mais procurados pela Polícia atualmente, organizou uma reunião para apurar o assassinato do rapaz e mandou chamar a família dele para prestar esclarecimentos da morte.

Investigações apontam que parte do bando também administrava o tráfico nas favelas de Maguinhos, Jacarezinho, Mandela e Parque União, na Zona Norte do Rio. No topo da estrutura, comandando este núcleo, estavam Carlos José Pereira Rosa, o Bililiu e Jota, que comprovam drogas nessas comunidades cariocas, fornecendo-as depois para seus subordinados de Macaé. Segundo a denúncia, mesmo preso no Complexo Penitenciário de Bangu, Bililiu continua à frente do grupo, com o apoio de Jota.

Ainda de acordo com a investigação, são inúmeros os assaltos organizados pela quadrilha. Os alvos, relata a denúncia, são farmácias, casas lotéricas, além das saidinhas de banco, que contava com a ajuda do vigilante Inolan Barbosa Velozo.  Por trabalhar em agência bancária, segundo a PF e o GAECO, Inolan, um dos denunciados, informava a Esquilo quais eram as pessoas que sacavam alto valor em dinheiro. Doca e Esquilo também são apontados pelas investigações como os responsáveis por vários homicídios, incluindo as vítimas de ações criminosas e desafetos da quadrilha. Num dos assassinatos, a mãe da vítima - uma jovem assassinada a tiros na porta de casa em 2011 -  reconheceu Esquilo como autor dos disparos e Doca e Botequim como participantes da ação.

Em outro homicídio, segundo a denúncia, a vítima foi executada com sete tiros por Esquilo e Botequim, presos no ano passado. Durante as investigações, a Polícia Federal de Macaé, com autorização da Justiça, monitorou as ligações telefônicas de alguns dos denunciados. Os outros, de acordo com investigações, atuavam como “vapores” da quadrilha.

Com base em requerimento do Gaeco, além da prisão dos denunciados, o Juízo da Vara Criminal de Macaé decretou o bloqueio e o sequestro de dados e contas bancárias.