sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Lula atende a pedido de Cabral e determina uso de militares do Exército



Serão emprestados ao Rio 800 soldados. Aeronáutica cede 2 helicópteros
Rio - Para combater a onda de violência, o Rio vai ganhar a ajuda de 800 homens do Exército e 300 agentes da Polícia Federal (PF). Os reforços foram anunciados ontem à noite pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, pelo secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, e pelo superintendente da Polícia Federal, delegado Ângelo Gioia. A Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) foi solicitada pelo governador do Rio de Janeiro e autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também serão enviados dois helicópteros da Força Aérea e dez blindados de transporte, com origem a ser definida em coordenação entre as próprias Forças, inclusive a Marinha, que já se encontra com viaturas em operação.
Foto: Fabio Gonçalves / Agência O Dia
Com a Igreja da Penha ao fundo, carro blindado do tipo M113, do Corpo de Fuzileiros Navais | Foto: Fábio Gonçalves / Agência O Dia
>>> INFOGRÁFICO: Superblindados contra o tráfico

“O nosso efetivo pode fazer parceria com a PM”, exemplificou Gioia. A prefeitura também vai entrar na defesa da cidade, colocando nas ruas 530 guardas municipais e agentes da CET-Rio auxiliando a PM com carros, motos e reboques até a situação se normalizar. Beltrame não descarta a utilização de fuzileiros navais na guerra contra o tráfico. A Marinha tem ajudado ainda com mapeamento das regiões dominadas pelos traficantes.

Hoje, helicóptero blindado será empregado na ação da Favela Vila Cruzeiro, na Penha, pela polícia. Ontem a aeronave não pôde ser utilizada para fechar o cerco aos traficantes, que fugiam, porque passava por reparos. De acordo com Beltrame, no próximo dia 13, a secretaria receberá mais um helicóptero blindado, porém o equipamento só poderá voar em operações em fevereiro, após treinamento dos agentes.

Ontem, na Vila Cruzeiro, PMs apreenderam três granadas de bocal e uma bomba caseira feita com cilindro de extintor. O artefato foi implodido por agentes do Esquadrão Antibombas. Na avaliação do secretário, mais importante do que prender traficantes é retomar a área que estava antes sob o domínio das quadrilhas. “Tiramos deles o que nunca foi tirado: o seu território”, afirmou. Além da ocupação na Vila Cruzeiro, que não tem prazo para acabar, Beltrame se referia às 12 Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) já implantadas em favelas cariocas. “Já temos 200 mil pessoas diretamente e 500 mil indiretamente livres dos fuzis”, defendeu.
>> FOTOGALERIA: Um paralelo entre Rio x Iraque
Beltrame garantiu que as ações da polícia vão continuar. “Nossa proposta é uma proposta de paz. Mas bandidos que cruzarem nosso caminho serão atropelados”, avisou. As investidas serão planejadas para ocorrer em pontos estratégicos da cidade. O reforço de policiamento à noite vai continuar. Apesar de não ter prendido ninguém, a ação de ontem, que afugentou dezenas de traficantes da favela da Vila Cruzeiro, foi comemorada pelo chefe da Polícia, Allan Turnowski. “Isso mostra que, em momento de dificuldade, os bandidos fugiram desesperados”, afirmou.

O secretário também garantiu que todos os presos flagrados incendiando veículos serão transferidos para presídios federais. Ontem, a Justiça do Rio autorizou a transferência de mais nove — dois já haviam sido levados com outros oito traficantes, quarta-feira, para a penitenciária federal de Catanduvas, no Paraná. As novas mudanças serão determinadas pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, que ofereceu 50 vagas.

Para mostrar força e dar apoio aos policiais, o comandante PM, coronel Mário Sérgio Duarte, e a cúpula da corporação foram na madrugada de ontem para as ruas. O grupo de 20 homens, em cinco carros, percorreu as principais vias expressas, como a Avenida Brasil, Rodovia Presidente Dutra e Washington Luís e Linha Vermelha.
Além do apoio às operações nas ruas, a Prefeitura do Rio colocou à disposição de moradores do Complexo do Alemão que não quisessem voltar para as suas casas abrigo em centro cultural na Penha, alimentação, água e colchonetes.

Forças Armadas já atuaram outras vezes

Essa não é a primeira vez que as Forças Armadas atuam no Rio. Em 2007, o Exército patrulhou as ruas no entorno das unidades militares após série de ataques. Entre 2007 e 2008, o Exército esteve na Providência, no Centro. A ocupação foi marcada pela morte de três moradores inocentes da comunidade entregues pelos militares a traficantes de facção rival. As tropas foram obrigadas a sair pela Justiça.
As Forças Armadas também estiveram nas ruas em 2008 para garantir a segurança das eleições após candidatos serem ameaçados pelo tráfico ao irem a favelas. Em 1997, três mil militares ficaram na cidade devido a visita do então Papa João Paulo II. Em 1992, durante a Eco-92, conferência da ONU para o meio ambiente que reuniu representantes de quase todos os países, as Forças Armadas também atuaram na segurança.Elas fazem parte do Gabinete de Gestão Integrada de Segurança do Rio.
Reportagens de Adriana Cruz, Alessandro Ferreira, Beatriz Salomão, Diogo Dias, Flávio Trindade, Geraldo Perelo, Isabel Boechat, João Noé, Leslie Leitão, Luarlindo Ernesto, Lúcio Natalício, Mahomed Saigg, Marcello Victor, Marco Antonio Canosa, Maria Inez Magalhães, Maria Mazzei, Paula Sarapu, Priscilla Costa, Rafael Cavalcanti, Raphael Zarko, Ricardo Albuquerque e Thiago Feres