terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Paralisação de ônibus pega passageiros de surpresa durante a madrugada



POR MARCELLO VICTOR
Rio - Passageiros que aguardavam para voltar para casa de ônibus, no início da madrugada desta terça-feira na Central do Brasil, no Centro, foram surpreendidos com o anúncio de uma paralisação de 24 horas da categoria. O movimento encabeçado pelo Sindicato dos Motoristas e Cobradores do Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Sintraturb-Rio) - dissidente do Sindicato dos Rodoviários do Rio - reivindica aumento salarial e o fim da dupla função para motorista júnior (que dirigem e também trabalham como cobradores). A justiça já considerou a paralisação ilegal.
Para o ativista Sebastião Neto, a expectativa do Sintraturb é de que a Rio Ônibus - Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro aceite as duas principais reivindicações da categoria: o fim dupla função para motoristas de ônibus categoria júnior e o aumento salarial de R$ 1.337 para R$ 1.731. Atualmente, o salário do motorista júnior é de R$ 880. Com a implantação dessa função, cerca de 3.600 cobradores perderam o emprego desde então, segundo Neto. Segundo o sindicato do trabalhadores, o Rio possui 8.600 ônibus e 16 mil motoristas com carga horária de sete horas.
Por volta de 1h, uma oficial de justiça do Ministério do Trabalho entregou uma intimação a policiais do 5º BPM (Praça da Harmonia). Ela não falou com a imprensa. Segundo um policial, no documento a paralisação convocada pelo Sintraturb-Rio foi considerada ilegal. A alegação seria de que a entidade não tem representatividade legal. Sebastião Neto confirmou que sindicato ainda não possui a carta sindical, emitida pelo Ministério deo Trabalho, que daria legitimidade a eles como representantes de motoristas e cobradores do Rio. Ainda segundo o ativista, o documento deve sair em breve.
Apesar de um clima de misto de revolta e surpresa, não foram registrados incidentes até às 2h. Alguns manifestantes empunhavam faixas e tentavam convencer colegas de profissão a parar após a última viagem. Houve aglomeração nos ônibus que ainda circulavam. Após às 2h, os manifestantes não foram mais vistos na Central do Brasil.
O garçon Valdir Vasconcelos, de 32 anos, cansou de esperar por um ônibus que o levasse à Bonsucesso, na Zona Norte. Após seguir da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, para a Central do Brasil e aguardar por um coletivo por cerca de 40 minutos, ele decidiu dividir um táxi com outras duas pessoas.
Já o entregador Aldo Batista da Silva, também de 32 anos, não tinha previsão de que horas chegaria em casa. Ele tinha saído do trabalho na Urca, Zona Sul do Rio, e há duas horas estava na Central do Brasil na esperança de conseguir um ônibus para Cavalcanti, na Zona Norte, onde mora.
"Não tem jeito, vou ter que esperar de qualquer jeito. O que eu ganho só me deixa como alternativa ser obrigado a esperar pelo ônibus mesmo", revelou ele, dizendo que não enfrenta dificuldades em dias normais de pegar os ônibus das linhas 298 (Castelo-Acari) e 311 (Praça XV - Engenheiro Leal).
Apesar de um atraso de duas horas para chegar em casa, o recepcionista Rosecler Paulo, de 48 anos, morador de São Cristóvão, apoiou a causa dos manifestantes de acabar com a função de motorista júnior e a dupla jornada. "Concorco com a reivindicação deles. É perigoso e a viagem fica mais longa".