sábado, 26 de fevereiro de 2011

Turnowski e Márcia Beck poderão ser denunciados em até 15 dias

Delegados nas mãos da Justiça


Rio - O Ministério Público Estadual (MP) tem 15 dias para decidir se denuncia o ex-chefe de Polícia Civil Allan Turnowski e a delegada Márcia Beck, ex-titular da 22ª DP (Penha). Ontem, o delegado Allan Dias, da Polícia Federal (PF), entregou à Justiça o relatório do inquérito em que os dois foram indiciados.

Turnowski é acusado de quebra do sigilo funcional porque teria vazado informações sobre a Operação Guilhotina para o inspetor Christiano Gaspar Fernandes, um dos alvos da PF. Márcia foi indiciada por prevaricação (quando um servidor público não cumpre sua obrigação por interesse pessoal). Ela teria dito para Christiano não comparecer à 22ª DP no dia em que agentes federais foram até a unidade para cumprir mandado de busca e apreensão.

“A partir do momento em que ela está em contato com o policial e ele não se apresenta, ela já cometeu crime”, avaliou Allan Dias, afirmando que Márcia sabia que Christiano era procurado. Segundo o delegado, no telefonema, o inspetor teria falado: “Diz que eu estou de férias”. E a delegada teria respondido: “Tá, tá”.

GRAMPEADO

Para indiciar Turnowski, o principal elemento da PF foram escutas telefônicas. No dia 27 de novembro, o ex-chefe de Polícia falou cinco vezes com Christiano num intervalo de menos de 30 minutos.

As conversas estavam relacionadas à suspeita de que um homem preso pela 22ª DP estaria sendo extorquido. O delegado, então, avisou: “Olha só, o secretário me ligou, que caiu na escuta da Federal a prisão desse cara pela 22ª”.

Depois, Turnowski voltou a mencionar o grampo da PF: “Fica esperto aí que nego da Federal está descendo já, que caiu na escuta, que nego ia vender uma cabeça aí (libertar o preso), não sei o quê. Pô, ainda bem que já tinha sido avisado e já falei para o secretário. Se não, nego já estava queimando vocês”. O delegado ainda fez um alerta ao inspetor: “Não pode deixar brecha, tá. Não deixa brecha, não, porque vocês são alvo legal”.