quinta-feira, 7 de abril de 2011

Atirador de Realengo usou dispositivo que recarrega revólver de uma só vez


Polícia encontra recarregadores que colocam as 6 munições do revólver com um único gesto

POR ADRIANA CRUZ
Rio - O atirador do massacre de Realengo usou dois dispositivos que permitem carregar completamente o tambor do revólver de uma só vez, ao invés de colocar munição por munição. Os dispositivos, conhecidos como "Speed Loader" (carregador veloz, em inglês) e "Jet Loader" (carregador a jato) são como um tambor onde as munições são dispostas. O recarregador é engatado no tambor do revólver, que recebe as seis munições de uma só vez. O funcionamento de ambos os modelos é similar.
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Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia
Parente de aluno desmaia na frente da escola em Realengo | Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia
De acordo com a PM , o atirador Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, usou dois revólveres, calibres 38 e 32. Com ele foram encontrados de 10 a 12 carregadores (entre Jet Loader e Speed Loader) e 22 munições não deflagradas.

Como cada revólver suporta 6 munições por vez, Isso significa que o atirador dispunha de 60 a 72 disparos, e efetivamente disparou entre 38 e 50 vezes.

Um vídeo no YouTube mostra como funcionam os recarregadores "Speed Loader" e "Jet Loader".

Cenas de horror em Realengo

Na manhã desta quinta-feira, 7 de abril, um jovem de 24 anos entrou na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste da cidade, dizendo ter sido convidado para dar uma palestra aos alunos. Ele subiu três andares do prédio e entrou numa sala onde 40 alunos da nona série assistiam a uma aula de Português, abrindo fogo contra os estudantes com idades entre 12 e 14 anos.

Testemunhas relatam um verdadeiro massacre. Wellington Menezes de Oliveira teria mirado contra a cabeça dos estudantes, com a clara intenção de matá-las. Quase trinta alunos foram baleados e mais de 10 morreram. Após o ataque, o assassino deixou uma carta de de teor fundamentalista no local. O texto continha frases desconexas e incompreensíveis, com menções ao Islamismo e até mesmo práticas terroristas. Em seguida, ele se matou dando um tiro na própria cabeça.

Alunos, professores e funcionários da escola acreditam que mais de cem disparos foram efetuados. Wellington, um ex-aluno do colégio, estava armado com dois revólveres e recarregou a arma durante a ação. O imenso barulho também assustou a vizinhança, que ainda ouviu os gritos de horror das crianças que, ensanguentadas, correram às ruas em busca de socorro.

Rapidamente uma multidão se formou em frente à escola. Em desespero, familiares e amigos tentavam ajudar as crianças e identificar as vítimas, ao mesmo tempo que tentavam entender os motivos do massacre.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, considerou este um dia de luto para a educação brasileira. Com a voz embargada, a presidente Dilma Roussef se disse chocada e consternada com o episódio e, com lágrimas nos olhos, pediu um minuto de silêncio pelos "brasileirinhos que foram retirados tão cedo de suas vidas e de seus futuros".