sábado, 9 de abril de 2011

Dólar cai 2,36% em uma semana


Governo não evita nova desvalorização e moeda americana fecha a R$ 1,57. Mercado já mira em cotação abaixo do R$ 1,50

Rio - O dólar encerrou os negócios ontem perto da mínima no dia, em desvalorização de 0,63%, a R$ 1,572 para compra e R$ 1,574 para venda. No acumulado da semana, a divisa caiu 2,36%. A perda do piso de R$ 1,60 que vinha sendo pontuada pelos operadores de mesas financeiras ao longo desta semana pode ser um claro sinal de que o mercado já acredita que o governo finalmente desistiu de controlar o câmbio.

“À medida que fica claro que o governo está desistindo disso, os fundamentos empurram a moeda para baixo”, sinaliza Homero Guizzo, economista da LCA Consultoria, em entrevista ao jornal ‘Brasil Econômico’. As sequências de medidas lançadas pelo Banco Central em parceria com o Ministério da Fazenda, consideradas de pouca eficácia, podem ter sido um forte colaborador para a criação desse clima em torno da dupla Alexandre Tombini e Guido Mantega.
“Quando, no final da tarde, Brasília lança uma medida fraca, o mercado abre os negócios cada vez com uma queda mais forte em relação ao fechamento do dia anterior”, explica o economista. “Logo, o mercado vai testar o R$ 1,50. Não vai me espantar nada se esse momento chegar muito rápido”, antevê. “Ao mesmo tempo, o governo vai aproveitar esse dólar para ajudar na queda da inflação.”
Por outro lado, a expectativa de uma mudança de cenário na economia externa já no segundo semestre abre espaço para uma menor atuação das esferas governamentais sobre a oscilação do câmbio. A alta dos juros está cada vez mais próxima nos Estados Unidos, aos olhos dos observadores de mercado que também apontam essa expectativa no governo federal.
Ouro na aposta de investidor
A economia mundial continua vulnerável, o que favorece o ouro como investimento. A recomendação é de Felix Zulauf, fundador da gestora Zulauf Asset Management, na Suíça. De acordo com ele, os bancos centrais do mundo adotam política monetária excessivamente frouxa, o que pode arruinar o sistema monetário. Com o excesso de liquidez, o investidor aposta que o ouro deve continuar em alta. Ainda que os preços tenham subido 29% no ano passado, Zulauf nega que o metal esteja sobrevalorizado.