sábado, 9 de abril de 2011

Ladrão faz criança refém em colégio de Bangu


Adolescente usa canivete para ameaçar menino de 6 anos, minutos após roubar bolsa de mulher com um comparsa. PM age rápido e ninguém fica ferido

POR ISABEL BOECHAT
Rio -Um dia após o massacre em Realengo, que chocou o mundo, o Rio de Janeiro, especialmente a Zona Oeste, amanheceu ontem tentando voltar à rotina. Porém, ação  de criminosos numa escola municipal de Bangu instalou pânico entre estudantes e funcionários. Por sorte, desta vez, ninguém ficou ferido. E os dois ladrões foram presos, um deles depois de fazer criança de 6 anos refém com canivete.
Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia
Vitor Ribeiro, de 19 anos (E) e o menor, de 16 anos, invadiram escola em Bangu | Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia
A angústia na Escola Astrojildo Pereira teve início após dois ladrões usarem a unidade como rota de fuga. Momentos antes, a dupla havia roubado a bolsa de uma mulher numa rua próxima. A movimentação foi flagrada por câmera do 14º BPM (Bangu), e policiais rapidamente chegaram ao local.

Vitor Ribeiro, de 29 anos, foi preso ainda no pátio, e o adolescente X., de 16, conseguiu chegar a uma das salas, onde crianças de 5 e 6 anos assistiam a um vídeo. A professora Amanda Neves, de 33, entrou em estado de choque e precisou ser hospitalizado.

HERÓIS TÊM O MESMO NOME

Em Realengo, na quinta-feira, o sargento PM Márcio Alves, do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), evitou uma tragédia ainda maior ao abordar o atirador Wellington Menezes de Oliveira. Ontem, em Bangu, um dos PMs que negociaram a rendição com X. tem o mesmo nome. Após 10 minutos, o adolescente foi imobilizado e a criança, salva.

“No momento em que entrou na sala, pediu silêncio, colocou a criança no colo e passou a ameaçá-la. Ora direcionava o canivete para a cabeça da criança, ora para a barriga e pescoço. Pedimos para ver se a criança estava bem, e ele se afastou um pouco. Neste momento, o cabo Anderson o imobilizou enquanto eu peguei a criança”, disse o tenente Márcio Alves.

“Não me sinto herói. O sentimento é de satisfação pelo cumprimento do dever. Conseguimos evitar o mal maior que seria a perda de uma criança. Quando o prendemos, as crianças começaram a nos aplaudir. Sou pai de quatro filhos e é inexplicável o que senti ao ver a felicidade em seus rostos”, disse o cabo.

Policiais temeram filme repetido

Os policiais do 14º BPM (Bangu) que participaram das prisões ontem disseram que, em certo momento, tiveram medo de que o filme de Realengo se repetisse no bairro vizinho.

“É claro que passa muita coisa pela cabeça. Quando percebi que era uma escola, com bandidos armados em uma sala, cheguei a pensar que tudo podia se repetir. Não sabíamos o que nos aguardava, mas, graças a Deus, era um quadro de roubo, com criminosos em fuga que poderiam ter pulado em qualquer lugar, foi coincidência”, concluiu o tenente Márcio Alves. O caso foi registrado na 34ª DP (Bangu).