sexta-feira, 8 de abril de 2011

Estudantes, amigos e vizinhos prestam homenagens às vítimas em Realengo


Rio - Vizinhos, amigos e religiosos prestaram homenagens, na madrugada e no início da manhã desta sexta-feira, às 12 vítimas fatais do ataque à Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste. Em frente à unidade, localizada na Rua General Bernardino de Matos, foram colocados vasos com flores, destinados a cada uma das vítimas. Os jovens também acenderam velas e colocaram cartazes no muro.

>> FOTOGALERIA: Massacre em Realengo deixa o Brasil chocado

Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia
Maria José, 56, chora a morte da filha caçula, Larissa, 13, abraçada ao filho Henrique, 30, e ao lado de outra filha, Camila, 23: “Não sei se vou suportar essa dor” | Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia
Membros da ONG Rio de Paz também estiveram no local para participar das homenagens. Eles colocaram flores e cruzes. A ONG demonstrou preocupação e pediu que fosse investigada a forma como as armas chegam às mãos deste criminosos.
As cruzes colocadas no muro da escola são as mesmas que foram usadas no ato do Aterro do Flamengo, em 2008, quando o Estado do Rio chegou à marca de dois mil homicídios no mesmo ano. A ONG pretende queimar as cruzes assim que o estado atingir a meta da Organização das Nações Unidas de 10 mil homicídios para cada 100 mil habitantes.
Psicopata mata 12 estudantes em colégio municipal

Manhã de 7 de abril de 2011. Eram 8h20 de mais um dia que parecia tranquilo na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste. Mas o psicopata que bate à porta da sala 4 do segundo andar está prestes a mudar a rotina de estudantes e professores, que festejam os 40 anos do colégio. Wellington Menezes de Oliveira, um ex-aluno de 24 anos, entra dizendo que vai dar palestra. Coloca a bolsa em cima da mesa da professora, saca dois revólveres e dá início a um massacre em escola sem precedentes na História do Brasil. Nos minutos seguintes, a atrocidade deixa 12 adolescentes mortos e 12 feridos.
Foto: Reprodução
Foto: Agência O Dia
Transtornado, o assassino atacou alunos de duas turmas do 8º ano (1.801 e 1.802), antiga 7ª série. As cenas de terror só terminam com a chegada de três policiais militares. No momento em que remuniciava dois revólveres pela terceira vez, o assassino é surpreendido por um sargento antes de chegar ao terceiro andar da escola. O tiro de fuzil na barriga obriga Wellington a parar. No fim da subida, ele pega uma de suas armas e atira contra a própria cabeça.

Na escola, a situação é de caos. Enquanto crianças correm — algumas se arrastam, feridas —, moradores chegam para prestar socorro. PMs vasculham o prédio, pois havia a informação da presença de outro atirador. São mais cinco minutos de pânico e apreensão. Em seguida, começa o desespero e o horror das famílias.

A notícia se alastra pelo bairro. Parentes correm para a escola em busca de notícias. O motorista de uma Kombi para em solidariedade. Ele parte rumo ao Hospital Albert Schweitzer, no mesmo bairro, com seis crianças na caçamba, quase todas com tiros na cabeça ou tórax.

>> VÍDEO: Imagens exclusivas mostram momento que atirador dispara

Wellington, que arrasou com a vida de tantas famílias, era solitário. Segundo parentes, jamais teve amigos e passava os dias na Internet ou lendo livros sobre religião. Naquela mesma escola, entre 1999 e 2002, período em que lá estudou, foi alvo de ‘brincadeiras’ humilhantes de colegas, que chegaram a jogá-lo na lata de lixo do pátio.

A carta encontrada dentro da bolsa do assassino tenta explicar o inexplicável. Fala em pureza, mostra uma incrível raiva das mulheres — dez dos 12 mortos — e pede para ser enrolado num lençol branco que levou para o prédio do massacre. O menino que não falava com ninguém deixou seu recado marcado com sangue de inocentes estudantes de Realengo.