quinta-feira, 14 de abril de 2011

Vereador dominava 13 comunidades e mantinha 'lista negra'


Deco (PR) foi detido em casa, em Jacarepaguá. Outros dois integrantes do grupo, que teria ameaçado até a atual chefe de Polícia Civil, foram para a cadeia

Rio - Acusado de comandar milícia que domina 13 comunidades nas Zonas Norte e Oeste (em Campinho, Quintino e Jacarepaguá), o vereador Luiz André Ferreira da Silva, o Deco (PR), foi preso ontem em casa, em Jacarepaguá, na Operação Blecaute, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE). Mais dois da cúpula criminosa foram presos.
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Vereador Deco foi preso pela Polícia Civil acusado de chefiar milícia | Foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia
O grupo temido na região por matar inimigos de uma ‘lista negra’, segundo as investigações, não poupou a atual chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, o deputado estadual Marcelo Freixo, do PSOL, ex-presidente da CPI das Milícias nem uma vereadora não identificada.

AMEAÇAS A AUTORIDADES

Martha Rocha foi ameaçada em 2008 quando era titular da 28ª DP (Campinho) e investigava a ação dos paramilitares em quatro mortes. Na época, ela recebeu ‘recado’ dos criminosos e chamou Deco e Hélio Albino Filho, Lico ou PM Souza, que está foragido, à delegacia para tomar satisfações. As investigações da Draco-IE com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público, resultaram no pedido de prisão de 14 integrantes de dois grupos milicianos e 25 mandados de busca e apreensão. Um na Câmara.
Na casa de Lico foram apreendidos R$ 60.819. Na de Deco, dois computadores, CD’s, dois pen-drives, documento e dois facões. Um Mitsubishi Pajero foi apreendido.
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O procurador-geral de Justiça, Claudio Lopes, e o subprocurador-geral, Antônio José Campos Moreira, denunciaram Deco e 7 integrantes da quadrilha por formação de quadrilha e bando armado. Entre eles, estão a presidente da Associação de Moradores do Mato Alto e Bateau Moche, Maria Ivonete Santana Madureira, a Nenete, e Arilson Barreto das Neves, o Cabeção, presidente da Associação do Conjunto Ipase, que seria armeiro do bando. “O trabalho não terminou”, disse o secretário de Segurança José Mariano Beltrame. Guardas municipais também são suspeitos.

Taxa exigida: 25% da venda de imóveis acima de R$ 50 mil

Nas investigações, os milicianos que controlavam gatonet, venda de gás, taxa de segurança de R$ 30 a R$ 100, mototáxi e fornecimento de água exigiam ainda 25% da venda de terrenos e imóveis negociados por até R$ 50 mil.
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As associações de moradores ajudariam a cobrar os valores. Era nas sedes das entidades que as transações imobiliárias também eram fechadas. “É perseguição da polícia. Pode puxar a minha ficha que não tem nada”, disse Deco, que foi paraquedista por oito anos no Exército. O PR, partido do vereador, decidiu que ele vai ser desligado da legenda. De acordo com as investigações, os milicianos exploravam máquinas de caça-níqueis
a casa do vereador, um tríplex no bairro Pechincha, chama a atenção pelo conforto e o aparato de segurança.

Cercas elétricas rodeavam o muro da residência, protegida por modernas câmeras de segurança. Para o Ministério Público, homicídios ocorridos na região eram praticados com facões e cordas. As vítimas seriam amarradas, feridas a faca e baleadas. “O Estado não quebrou o braço econômico desta máfia. Não cumpriu as propostas da CPI. A Câmara tem o dever de cassá-lo”, protestou o deputado Marcelo Freixo, do PSOL.
Reportagem de Adriana Cruz, Marcello Victor e Vania Cunha