quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Disque-Denúncia recebe 40 ligações sobre assassino de cinegrafista
Rio - O Disque-Denúncia já recebeu, até esta terça-feira, 40 ligações com pistas sobre o paradeiro do possível assassino do cinegrafista da TV Bandeirantes, Gelson Domingos da Silva. O cinegrafista foi morto com um tiro de fuzil, no último dia 6, quando registrava um confronto entre policiais militares do Batalhão de Choque e traficantes, na favela de Antares, em Santa Cruz, na Zona Oeste.
Na segunda-feira, uma missa de sétimo dia foi realizada na Catedral de Santo Antônio, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense. A cerimônia religiosa foi marcada pela Associação Caxiense de Imprensa Escrita e Falada.
De acordo com a instituição, Gelson contribuiu para a divulgação da história de Caxias participando da produção de documentários sobre personagens da cidade como o lendário deputado Tenório Cavalcanti. As reportagens especiais foram exibidas pela TV Brasil, onde o cinegrafista também trabalhava.
Critério para coberturas
O comandante da Polícia Militar do Rio, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, disse nesta segunda-feira que quer estabelecer um critério para coberturas jornalísticas de operações policiais nas favelas do estado. A afirmação foi feita um dia depois da morte do cinegrafista Gelson Domingos, da TV Bandeirantes, baleado durante uma operação policial na favela de Antares, na Zona Oeste da cidade, na manhã de domingo.
“Vamos tentar reunir os sindicatos dos cinegrafistas, dos jornalistas, para conversar, para ter um critério de segurança. Quando um policial falar com um repórter: 'daqui vocês não podem passar’, que eles entendam e, por segurança própria, obedeçam a orientação dos policiais”, disse o comandante da PM.
Segundo o comandante, a polícia não “convida” a imprensa para cobrir as operações dentro das favelas, mas os jornalistas acabam acompanhando os policiais por conta própria.
“A imprensa nunca foi convidada, só que o repórter, principalmente quem cobre a área policial, é um 'policial'. Infelizmente aconteceu isso [a morte] com esse nosso amigo”, afirmou.
Pedido de segurança
O corpo do repórter foi sepultado na tarde desta segunda-feira, no Cemitério do Caju, na Zona Portuário do Rio. O clima era de comoção entre familiares e companheiros de profissão. "Ele era um cara honesto e amava o que fazia, mas é uma profissão de risco. Eu peço que as empresas melhorem seus equipamentos de segurança para que outros familiares não percam pessoas queridas desta forma", emocionou-se o irmão de Gelson, Ricardo Silva.
O presidente da Associação Brasileira de Impresa (ABI), Maurício Azedo, destacou a necessidade de buscar incrementar a proteção aos profissionais que cobrem confrontos na cidade. "O profissional deve analisar todas as situações de risco. Jornalistas de campo devem ser cercados de medidas de segurança para evitar que episódios como este se repitam", afirmou Azedo.
O caixão com o corpo do cinegrafista estava coberto com uma bandeira do Vasco da Gama, time de futebol para o qual ele torcia. Algumas coroas de flores foram enviadas por emissoras de TV e redações de jornais em homenagem ao cinegrafista.
Veja as imagens do cinegrafista antes de morrer:
